domingo, 29 de novembro de 2009

Too fucked up to pick a title...

Status: robbed by my own "sister"...

E continuo à procura das minhas coisinhas. Caso encontrem material da Vitorino de Sousa à venda noutros locais, é favor avisar.. Trata-se do MEU material, foi roubado da minha quinta.
 
Moral da história: trust no one.


sábado, 7 de novembro de 2009

You dug your own grave.

Descobri que o mundo não passa de um conjunto de enganos.
Erros, tentações, traições cometidas ou por cometer.
É um conjunto de caminhos pecaminosos e mal escolhidos, por inocência ou conscientemente, um conjunto suficientemente grande para nos albergar a todos, ocultos sob um manto de honestidade forçada.
Não há espaço para ser real, para ser fiel a princípios ou a regras que cedo estabelecemos.
No mundo, quebramos as nossas próprias regras. Traímo-nos até a nós mesmos.
Cedemos às novidades como se nada nos prendesse ao que temos. Como se não amássemos suficientemente o que há muito já era nosso.
Desistimos do que construímos por meros segundos de êxtase, por acasos pontuais, numa atitude infantil e irresponsável. Mas sabe-nos bem...
Ultimamente tenho andado a pensar no que seria do mundo sem pudor. No que seria de nós sem o "politicamente incorrecto", o "socialmente inaceitável", sem a manipuladora vergonha que não nos permite fazer o que queremos fazer, exactamente no momento em que o faríamos se pudéssemos.
Como seria tudo se beijássemos alguém a meio de uma conversa, sem motivo nem aviso, simplesmente porque sim, porque queríamos?
Se pudéssemos, a qualquer momento, mudar de país sem malas nem bagagens emocionais, deixando a vida para trás, sem uma data de regresso definida.
Penso como seria se pudéssemos parar de pensar em tudo o que os outros achariam, abater as consequências, e fazer o que o coração nos mandasse.
O mundo é um conjunto de erros, tentações, traições e pecados mas..
Se isto acontecesse, talvez fosse mais feliz.
Melhor, talvez deixasse de estar feliz e passasse a ser feliz.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Primeiro

Hoje vou escrever talvez o post mais diferente de todos mas dos mais importantes para mim e, de certeza, para muitos, o mais ridículo.

Assisti ao início de uma vida.
Tal coisa é sempre marcante, sendo o nascimento de um dinossauro, de um cavalo, de um homem, de um cão, ou de um ser cuja importância no mundo é considerada por muitos como tão pequena quanto o seu tamanho - vi nascer um pinto.
Depois de 3 semanas a virar os ovos três vezes por dia, a ajeitar o algodão que os envolvia, a encher de água os copos que mantinham a humidade na estufa, nasceu o primeiro.
Depressa esquecemos a frustração que sentimos pelos pintainhos que morreram durante os 21 dias de gestação (uns pelo "bem da ciência", outros por mero azar ou circunstâncias infelizes).
Cerca de vinte pessoas correram para o laboratório, enquanto telefonavam aos outros "pais e mães", agacharam-se perto do candeeiro, e ficaram perplexos a olhar para um ovo com, sensivelmente, 5 centímetros, que demorou horas a decidir-se a partir o resto da casca e cujos sons eram praticamente inaudíveis (apesar de todos jurarem que o ouviam perfeitamente...).

E, nisto, está o momento alto da minha semana, arrisco-me até a dizer do mês - o nascimento do "primogénito".
Agora vamos esperar que nasçam os outros todos :)

Aqui fica o nosso "Nelson Mantorras" acabado de sair do ovo, numa foto que a prof. tirou de um ângulo esquisito mas que deixou mais de 40 "pais e mães" todos babados xP

Só nós entendemos a alegria.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Spinning around as if the world was crashing.

Sinto-me a rodopiar.

Vejo-me a rodopiar no vazio, envolta em branco, em mágoa. Envolta na claridade daquilo que me parece um túmulo de sombras, de trevas.
Vejo o mal como algo enevoado, mas presente. Não gosto de imaginar um mundo negro de dor, um mundo tão cliché como isso.
Sinto-me como um piano desafinado nas mãos de um pianista com amor à sua arte. Talvez me tratem como deviam e o problema esteja, de facto, em mim. Talvez eu seja o problema.
O mundo gira à minha volta e a cabeça perde-se no movimento, nos círculos largos e estranhamente apertados e sufocantes, na estrada ondulante que me circunda o corpo e parece levar todos os caminhos correctos para bem longe de mim.
Sei não ser a única. Sei não ser a única que entrou nos caminhos de histeria e de desespero, que entre narcóticos fazem com que uma ida ao hospital pareça a solução para todos os problemas. Veria quem se preocuparia para, de madrugada, sair da cama e visitar-me, consolar-me, ainda na minha inocente inconsciência, ainda na dormência do que o sofrimento me proporcionou.
Preciso de um salto no tempo, uma falha deste, um género de time gap para a felicidade. Os dias parecem ser sempre os mesmos como se os erros nos passassem à frente sem saltar à vista, como se estivéssemos condenados a repetir os dias para consertar algo que não parece estar lá. Como se o arrastar pelas manhãs e noites não fosse castigo suficiente. Como se o passar do tempo fosse irrelevante. Pior, como se este arrastar pelos dias com vista a um dia diferente não fosse tortura suficiente para uma alma só.

Rodopio e a chuva que cai não me trava, não me impede de girar sobre mim própria, sobre as linhas de óleo que se espalham em padrões irregulares no piso molhado.
Ouço o som de buzinas e ouço gritos ao longe que talvez estejam mais perto do que imagino, mas não abro os olhos pra ver. Prefiro a ignorância. Prefiro ouvir os gritos, sentir o tremer de pânico nas vozes, mas não ver lágrimas na face de ninguém. Correm lágrimas suficientes no interior das minhas pálpebras cerradas, no interior do meu corpo curiosamente desfeito pelo amor.
O amor é destrutivo, sim. É destrutivo quando nos leva a lançar-nos a dançar histericamente em busca de algo que ainda nos faça feliz. Este mundo branco é a minha única fuga, o meu único destino.
...
Quase não sinto o impacto quando se dá.
Em mim, nos meus pensamentos, já se tinha dado há muito.
A alma já estava desfeita. A morte do meu corpo, pelo carro dele, pouco me disse.
Ouço-o gritar. Ouço-o implorar por ajuda mas ninguém quer saber, ninguém se importa, ninguém me acode porque esta era a minha salvação.
Desvaneço com a voz dele. Desvaneço com os gritos surdos que desaparecem tão lentamente como as lágrimas que me secam já nos lábios, com o vento que sopra frio, de oeste.
Tenho-o ao meu lado, mas desvaneço sozinha, no meu mundo branco. No meu rodopio eterno, na minha claridade, na minha histeria.
...
Acordo nua no chão do meu quarto, horas depois de me trancar lá, deitada, dormente.
Ninguém deu pela minha falta.

domingo, 25 de outubro de 2009

I just wanted him to know...

I love him with all that I am. He's the most important part of me. He's everything.

I need my little piece of heaven, my chéri. Don't give up on us after 5 months, love.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ten little soldiers screaming in my soul.

Os amores passados entristecem-me.
São como ervas daninhas que se agarram com força a corações alheios gritando em surdina, ainda que raramente ouvidos, na esperança de chamar a atenção que nunca mais irão ter.
Amores do passado, mas ainda presentes num dos lados da equação, são obsessões sem sentido, carências desmedidas, cegueiras causadas pela sede de mais um minuto do que tudo era no início. Um minuto impossível de obter.
É triste como as pessoas preferem não ver o que lhes está em frente aos olhos, em frente à alma, por vezes pobre e sem carisma, ou apenas inocente e... estúpida.
Estes amores entristecem-me apenas porque gosto de personalidades fortes. De lutadores. Lutadores inteligentes que sabem quando parar, e não dos que juram nunca desistir ainda que seja a coisa mais destrutiva que podem fazer.
Há amores que nunca deviam ter existido. Paixões sem nexo, que partiram e deixaram apenas o arrependimento, ainda que não consensual.
Mas nem tudo pode ser como queremos.
E, quando não resulta, basta-nos aceitar, humanamente ou não tanto assim, o que o "destino" nos reservou.
De qualquer forma, os amores passados entristecem-me.
Mas, mais cedo ou mais tarde, extinguem-se e, aí, todos seremos mais felizes.

sábado, 5 de setembro de 2009

There are days that are harder without you.

Há dias assim.
Acordamos do lado errado da vida, claramente na escuridão, ainda que a luz não hesite em entrar pela janela. Queremos logo que chegue a noite, para podermos dormir e não termos de pensar, conscientemente, em nada. Preferimos arrastar-nos pelos dias ainda que, quase sempre, essa seja uma das coisas que mais detestamos.
Há dias em que parecemos não conseguir soldar as dívidas que o coração acumulou. Em que não conseguimos retribuir nem os míseros favores que a vida nos foi fazendo, ao longo do tempo.
Dias em que a chuva parece cair apenas sobre nós, enquanto que o sol envolve os outros e brilha mais do que alguma vez o fez, mas essa chuva não nos sabe bem, como nas vezes em que saímos à rua apenas pelo refresco matinal que nos desperta e apaga em nós as memórias de uma noite mal passada. Há dias em que a chuva se torna numa tremenda tempestade, em que nem os trovões nos fascinam, quando cruzam o céu púrpura da noite.
Há dias em que o passado nos assombra o espírito. Em que todas as discussões parecem outra vez tão próximas como no momento em que aconteceram, em que os antigos amores voltam e pedem uma segunda oportunidade, sem percebermos porquê.
Não conseguimos pensar sequer no que sempre soubemos. Pensar que no amor não importa o passado, importa apenas o presente e os presentes - eu e tu e quem nos quer bem.
Há dias em que não temos forças nem para nos erguermos e gritarmos "pára, por favor pára!", e fazermos a dor desaparecer. Não temos forças para dizermos aos outros para pararem de argumentar, para deixarem de nos tentar destruir - nós próprios já o fizemos, sozinhos.
Dias em que temos medo e sentimo-nos humilhados por isso. Estamos fracos e frustrados e o desespero cega-nos ao ponto de apenas vermos a única coisa que atingimos em tantos anos de vida: o falhanço. Fracassámos.
Temos dias, nas nossas vidas, em que queremos que os outros sofram tanto quanto nós. As suas lágrimas sabem-nos bem e não sabemos porquê, não é? O sofrimento alheio faz-nos bem quando não conseguimos suportar o nosso. É como se nos aliviasse um pouco o peso sobre os ombros, sobre o coração esmagado e quase irremediavelmente reduzido a veias e artérias comprimidas, sem função.
Há dias em que respirar nos cansa. Em que vemos que chorar não é solução - embora quase sempre sentimos necessidade de o fazer. Talvez seja por isso, por não ser remédio para a demência da mente (que normalmente seria motivo do meu orgulho por ser diferente), que digo que estou mal com um sorriso na cara, a quem me conhece - não vale a pena ter pena. Não vale a pena sufocar mais com palavras falsas, ou com lágrimas que de nada servem. Tenho dias em que enfrento os obstáculos com um sorriso.
Há dias em que pensamos que é preferível desistir. Por vezes até sabemos que seria mesmo o melhor para nós. Até eu sei disso, quando vivo esses momentos, mas não o consigo fazer. Não sou uma desistente. Luto sempre pelo que quero, por vezes demais. Páro apenas quando vejo a luz, e a vida está por um fio.
Há dias em que somos mais humanamente influenciáveis do que costumamos ser. Uma traição, por exemplo, às vezes custa apenas porque é suposto custar. Ouvimos dizer que dói muito, por isso, quando acontece, pressupomos que está mesmo a doer. Pressupomos que nos sentimos destruidos, apenas porque sempre vimos todos encarar essas situações assim.
Há dias em que queremos apenas dizer adeus a todos os que amamos, e desaparecer por uns tempos. Queremos trancar-nos no fundo de um armário, por detrás das roupas há muito esquecidas, como uma criança que brinca às escondidas e espera não ser descoberta.
Dias em que nos sentamos num canto do sofá, à lareira, com o pijama amarrotado e impropriamente colorido para a ocasião, e nem o fogo nos consola. Parece consumir-nos por inteiro.
Temos dias em que passamos a achar que estamos destinados a sofrer, a ter o coração estilhaçado. Pior - há dias em que deixamos de acreditar no destino.
Há dias em que, momentaneamente, deixamos de acreditar naquilo que quisemos e cremos uma vida inteira.
Mas, surpreendentemente, quando isso acontece, o cavalo branco relincha lá fora, mais cedo ou mais tarde, e relembra-nos o conto de fadas.
Relembra-nos a história que vivemos, pela qual damos tudo de nós, ou a que acreditamos um dia vir a ter.
Aí, olhamos em volta e constatamos que afinal é fácil continuar a lutar: é um novo dia.
E, se é um novo dia, há um novo começo.

domingo, 19 de julho de 2009

E, de repente, viver passou a fazer sentido.

"Inês, sei que por esta altura já deves estar a dormir.

Mesmo assim precisava de exprimir o que estou a sentir agora. É indefinível e já não cabe dentro de mim.
Apareceste na minha vida de repente e de repente me fizeste feliz.
Apesar de algumas noites mal passadas, não as nego, e alguns erros cometidos, também os admito, continuo a querer-te como no primeiro dia. Aquele primeiro dia...
Estava com tanto medo de me entregar de novo a alguém, com tanto receio de me desiludir outra vez...
Felizmente decidi que TU valias a pena e pelos vistos não me enganei.
Ainda só passaram 2 meses (os melhores da minha vida) e já sinto que te conheço há anos. Anos esses que desejo passar ao teu lado. Esses e muitos mais.
Quero com todas as forças aquele futuro que imaginamos juntos, o futuro que imagino agora enquanto escrevo isto.
É contigo que sou feliz e é contigo que o quero ser.
Desculpa se às vezes sou um parvo e te faço sofrer mas não é isso que quero de todo.
Desculpa se às vezes estou mais distante e não te dou a atenção que precisas.
Acima de tudo isso quero que saibas que te amo mais do que à minha própria vida e que vou fazer tudo o que seja possível para que sejamos um dos outro para toda a eternidade :$.
Nunca te quero desiludir.
Cada dia me apercebo mais que não há mais nada a fazer a não ser ficar contigo. Acredita que me parece bastante bem x).
Cada momento passado contigo faz a minha vida valer a pena.
Cada sorriso teu faz-me gostar de viver.
Cada vez que te deixo feliz sinto que a minha existência tem algum valor.
Por mais vezes que diga que te amo e por mais sinceras que sejam as minhas palavras (acredita que são sempre) continuo a achar que não chega.
Continuo a achar que não disse nem metade do que queria dizer.
É este sentimento que me faz acordar todos os dias com vontade de continuar e enfrentar tudo e todos.
Tenho saudades.
Aguento-as, no entanto, por saber que todos os dias me vais proporcionar sorrisos e bons momentos.
Sei que vale a pena esperar e espero o que for preciso porque tenho a certeza que vou ser sempre feliz contigo e que a partir do fim das férias não vamos ter de voltar a separar-nos.
Ainda temos uma vida pela frente mas quero recordar todos os bons momentos contigo, desde o primeiro beijo até ao último, último este que será antes da morte de um de nós.
Amo-te como nunca amei ou amarei alguém.
És vida em mim.

Dorme bem, amor."

by Dinis Garcia Nunes, 19/07/2009

P.S.: Obrigada, Dinis, pelas melhores palavras do mundo. As melhores de sempre.

sábado, 11 de julho de 2009

És verdade em mim, meu amor.

É saber que é impossível querer tanto alguém como te quero a ti.
É ver-te como a minha razão para sorrir, a minha razão para parar de chorar mesmo quando quero deitar-me e chorar o resto da noite.
É sentir-te aqui mesmo quando não estás fisicamente.
É fechar os olhos, pôr os braços à volta do corpo, e saber exactamente como seria se fosse um abraço teu.
É encaixarmos tão bem um no outro.
É deitarmo-nos na relva a rir às gargalhadas sem nos importarmos com o que as pessoas à volta pensam.
É esquecermos o mundo.
É estarmos juntos sem pensar em como será daqui a algum tempo - apenas importam os momentos que vivemos, e que são perfeitos, sem excepção.
É sentirmo-nos bem a chorar juntos.
É sentir este amor como algo tão forte que não nos cabe no peito.
É sentirmo-nos a explodir de felicidade e de paixão a cada segundo.
É haver sempre palavras de conforto, mesmo quando estamos chateados e só temos vontade de gritar.
É querermos construir uma vida juntos, sem fim.
É lutarmos por ficar juntos "para sempre e mais um bocadinho".
É confiarmos um no outro, e abdicarmos de vícios que, agora, deixaram de fazer sentido.
É orgulharmo-nos tanto um do outro.
É deitar a cabeça no teu peito e sentir-me feliz apenas porque respiras.
É fazeres-me sentir o teu coração a bater e dizeres que bate por mim e para mim.
É querer que o sangue corra apenas enquanto estiveres comigo.
É aguentarmos este tempo "separados" porque a dor de nos separarmos mesmo seria insuportável.
É sonharmos com dias ainda melhores. Anos melhores.
É não esquecermos o primeiro sorriso, o primeiro toque, o primeiro beijo.
É conhecer de cor cada um dos teus sorrisos diferentes, e saber, através da tua voz, exactamente a expressão com que estás.
É sorrir quando digo o teu nome.
É deitar-me e deixar um espaço ao meu lado, para que possas deitar-te ali se apareceres a meio da noite.
É viver cada segundo como se fosse o último, mesmo que este último nunca vá chegar.
É poder passar o dia a escrever este texto e, sobretudo, chegar ao fim e continuar a achar que o "nosso sentimento" é indefinível.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

You're My Little Piece Of Heaven.

A noite já ia longe, e as poucas e ténues luzes da cidade ainda se agitavam na escuridão que as envolvia.
Sabia que seria apenas mais uma noite, mais uma das desesperantes noites sem ti ao meu lado ainda que apenas para me olhar.
Atrás das vidraças, e protegida do vento que ia lá fora, pus-me a pensar.

Cada vez mais nascem, infelizmente não proporcionalmente aos parvos, "neo-cavalheiros" que nos beijam a mão e aconchegam a alma, como se tivéssemos voltado ao século XVIII e as camisas rendadas fossem a última moda.
Acho que és um desses.
Apareceste com as tuas piadas, a tua máscara de forte e desinteressado, as tuas ideias de amores pouco duradouros e, quase sempre, com maus finais. Não te julgo por isso, foi isso que a vida te mostrou que acontece quase sempre, não foi?
Preferias dedicar-te a "aproveitar a vida", a lidar com o passado e a não pensar no futuro, concentrando-te apenas nos dias que te apareciam à frente, uns melhores do que os outros.
Demorei a desvendar-te.
Demorei a conseguir ver em ti algo que me interessasse, algo que despertasse em mim alguma curiosidade e me fizesse querer conhecer-te ainda melhor.
Mas, conforme o tempo foi passando e percebi que o meu sorriso te fazia sorrir, vi algo a surgir.
Falámos. Falámos uma primeira vez e a tua voz viciou-me de uma maneira que não achava possível. Como uma típica viciada, entrei em fase de negação.
Neguei tudo até àquela noite. Acho que posso dizer que houve química, ainda que não estivéssemos frente a frente.
Finalmente decidi-me a aceitar. Decidi-me a tentar entender o que me ia na alma, o porquê de não me saíres da cabeça.
Estivemos juntos. Surpreendeste-me com aquele beijo.
Depressa percebi que já não ia conseguir esquecer tudo aquilo, mas tu não sabias o que querias, não sabias se devias continuar ou simplesmente deixar as coisas como estavam e seguir a tua vida, sem mim.
Fomos ficando cada vez mais próximos. Aproximámo-nos até que chegou uma altura em que não quiseste afastar-te mais (e ainda bem que chegou..).
Não posso dizer que te conheço melhor do que a mim mesma, não é verdade. Não te conheço assim tão bem, tenho apenas algumas noções do que queres no teu futuro, e nada mais. Não sei o teu passado, mas pouco importa. Conheço aquilo que tenho de conhecer. Sei que sentes o mesmo que eu, e não preciso de mais.
Sabes que não vou esquecer nada disto.
Sabes que desta vez o "para sempre" não significa "durante algum tempo", sabes que o meu passado que me parecia tão forte e devastador já pouco me diz.
Acima de tudo, sabes que contigo é diferente.
"O nosso amor é muito mais do que amor, é um sentimento só nosso."

A noite já ia longe, e as poucas e ténues luzes da cidade ainda se agitavam na escuridão que as envolvia.
Sabia que a noite, depois disto, não seria a mesma.
Atrás das vidraças, e protegida do vento que ia lá fora, soube que não tardaria a ter-te comigo. Aqui.

Amo-te.
Amo-te mais do que à vida, Dinis.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

No narcotics in my brain can make this go away.

Sabes, percebi que quero voltar a ver-te.
Quero-te ver a ti, que fazes parte do grupo de pessoas que passaram pela minha vida. A ti, que fizeste parte de mim mas partiste por uns motivos ou por outros. Por uma zanga, pela distância, pelas diferenças ou apenas pelas semelhanças que, mesmo sendo tantas, não nos conseguiram unir por muito tempo.
Quero voltar a ver-te, de década a década. A ti, que me preencheste os dias. A ti, que fizeste de mim feliz.
Percebi que quero ver no que te tornaste, no que a idade te transformou.
Reparar se os teus traços continuam suaves ou se o tempo os deixou marcados, rudes. Se o teu cabelo permanece igual ao que conheci, e vê-lo até quando for grisalho e não puderes ser confundido com um mero rapaz.
Ver se ainda te vestes da mesma forma. Se a tua voz, de que eu tanto gostava, continua igual.
Quero perguntar-te se ainda ouves o mesmo tipo de música. Se conduzes o mesmo carro, se ainda vives no mesmo sítio.
Acima de tudo, quero perceber o que fizeste à tua vida. Saber se casaste, se tiveste filhos, se te dedicaste a uma longa e gloriosa carreira ou se abandonaste todos os sonhos para ter apenas um emprego vulgar e, certamente, instável.
Quero saber se ainda há em ti os mesmo destroços, se ainda vives rodeado dos mesmo cacos emocionais.
Há em mim uma necessidade de saber se conseguiste ser feliz. Se te marquei, se a minha presença num dado momento inicial da tua vida teve alguma influência no teu futuro, do qual não faço parte feliz ou infelizmente.
Quero voltar a ver-te. Quero saber se, passado tantos anos, te vou querer tanto como um dia já quis. Quero saber se sentirei a tua falta. Saber se me marcaste tanto como agora, na juventude e no que me resta da inocência de criança, penso.
Não quero esquecer capítulos do meu livro. Não quero deixá-los para trás apenas porque já não me fazem feliz, apenas porque acabaram em lágrimas ou gritos e não na felicidade que tanto procurava. Não tenciono apagar o que fomos, ou mandar para trás das costas o que me formou como pessoa. Parece-me cruel eliminar-te da minha vida, quando, no final de contas, me ajudaste a construí-la, fazendo parte dela.
Decidi que quero voltar a ver-te. A ti, que fizeste parte de mim.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Being happy (without you) makes me sad.

Sempre me esforcei por não ser engolida pela tão típica cobardia da sociedade, pelas mentiras que todos se sujeitam a viver como consequência dos combates em que são feridos e humilhados em frente de todos os outros que assistem simplesmente sem se importar.
Eu recusava-me a entrar nessa fachada, fazia pela vida e pelas minhas ideias talvez por vezes incoerentes, mas ainda guias para a realidade ou, pelo menos, da noção que tenho do que esta é.
Percebi que não quero que sejas feliz.
Melhor, não quero que sejas feliz com ela.
Melhor ainda, não quero que sejas feliz sem mim.
Não quero os teus olhos cheios de outro sorriso que não o meu, não quero que sorrias sem ser para mim.
Quero que sejas feliz, sim, o mais feliz do mundo.. mas não sem mim, não sem ser eu a causadora dessa felicidade permanente.
Nunca te menti, mas por favor não acredites quando te disser que desisti, ou que consigo viver sem ti.
Não acredites quando disser que te odeio, ou que suporto que te dês com ela, que tenhas vida depois de mim e para além de mim.
E, mais importante que tudo, quando te disser para seres feliz porque é o que mais quero, não acredites.
Chora, grita, tudo o que quiseres, mas não sejas feliz. Não sem mim.

P.S.: Calar-me não implica deixar de saber o que quero, fico à espera da oportunidade de te mostrar a perfeição a que podíamos chegar. 1 minuto de perfeição..

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Chaos Controls My Mind.

Há certas verdades inalteráveis, mesmo com o mais longo período de tempo. Imutáveis, duras ou boas para a alma, existirão sempre.
  • A verdade dói, custa ouvir.
.. da boca de quem gostamos, pior ainda.
Preferimos mentiras confortáveis, que nos iludem mas aquecem o cantinho mais da alma.
Preferimos esse fogo que não queima, mas que mata aos poucos, enchendo-nos do fumo tóxico que nos corrompe os pulmões e acaba por nos destruir.
  • O desprezo é destrutivo.
É a pior das acções, o pior causador de sofrimento, a pior discussão silenciosa.
Sempre preferi gritos a essa atitude passiva.
Sempre preferi que me magoasses com um "adeus".
  • "The grass is always greener on the other side".
Tão verdade.
Queremos sempre o que não podemos ter. Quando o atingimos, passa a não nos ser nada.
É tudo tão melhor quando resulta de luta. De sangue, saliva, suor.
Um amor sabe muito melhor quando envolve trabalho, sofrimento, dúvidas. Quando envolve empenho. É real, melhor do que um amor platónico.
  • O ser humano gosta de dor.
Gosta da dor sufocante que o leva a lágrimas, precisa dela.
É instintivo. Sempre sofreu.
A dor é um vício.
Como o tabaco, a cocaína, o whisky ao final do dia.
É viciante e sempre será.
Provém do fracasso, do stress, do amor. Das dúvidas, da fome, da sede.
A dor rodeia o mundo como uma atmosfera, densa, mas que nunca se deixa perfurar por químicos. Não há um "buraco na camada da dor".
É impenetrável.
Trata-se com esforço, dedicação, mimos de quem nos quer bem. Mas, como um cancro, um tumor maligno, não se cura. Está sempre em nós.

Há certas verdades inalteráveis, imutáveis. Duras ou boas para a alma, existirão sempre.
Até no fim do mundo.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Será a vida um sonho, ou um sonho de vida?

Naquela noite estava na praia, olhava o mar. As estrelas reflectiam-se na água que ondulava, brilhando tanto que construíam um novo mundo, mais puro, mais doce.
Embalada pelo som das ondas a embater nas rochas, não te ouvi aproximar. O teu cheiro não se distinguiu, por estar misturado naquela corrente de ar com cheiro a vida, que tanto gosto na praia. O cheiro a areia, a salgado, a maresia. Cheiro a descobertas e tormentos, noites mal dormidas e momentos bons, tão bons.
Dei por ti quando, com um sussurro, me chamaste à atenção. Só podias ser tu.
"Amor, cheguei..", disseste-me, enquanto deslizavas a ponta dos teus dedos desde a parte de trás do meu pescoço até ao fundo das costas.
O frio da tua pele arrepiou-me, mas sabia bem, matou as saudades (apesar de me dar ainda mais vontade de as extinguir totalmente, torturando-as aos poucos pela noite fora).
Virei-me para ti, devagar.
Esboçaste aquele sorriso que adoro, que me corta a respiração, e olhaste-me com o mesmo olhar provocante que já conhecia de tempos passados.
Fui prontamente atraída pelos abismos do pecado, da luxúria, da sensualidade.
Ao longe soava uma música, baixinho. O nosso tango.
Desafiaste-me silenciosamente.
Agarraste a minha cintura e puxaste-me lentamente contra ti.
O teu toque, o teu corpo, foram como um íman. Não consegui afastar-me, o coração não batia de cada vez que voltava a estar mais do que um centímetro afastado do teu.
A tua mão direita agarrou a minha e, com a lua cheia sobre nós, dançámos horas e horas seguidas, descalços na areia, junto ao mar que era só nosso.
Vimos o nascer do sol, juntos.
Era apenas essa ténue luz, do início da manhã, que nos iluminava quando decidiste que estava no momento certo.
Puxaste-me mais para ti e fizeste-me cair sobre os teus braços, como numa daquelas danças que vimos nos filmes, de maneira a acabar o tango que já não se fazia acompanhar pela música de uma das casas situadas nas encostas da praia. A melodia agora estava em nós, gravada na memória.
Com o teu corpo sobre o meu, a tua mão na minha perna, aproximaste a tua cara da minha. Ainda mais.
Percorreste com os teus lábios frios cada milímetro de pele entre o meu pescoço e a minha boca. Seguiste a linha do meu maxilar, mordeste-me a orelha suavemente quando não estava à espera.
Pensei que nunca mais saberia viver sem ti, depois daquela noite, da intensidade da química que nos unia, da paixão ardente que sentíamos.
"Está na hora de nos despedirmos", disseste, por fim, proferindo as palavras que eu desejava acima de tudo que nunca tivessem surgido.
Sabia que aquela noite tinha sido uma despedida. Tinha sido o último sonho real. Sentíramos a magia do derradeiro momento.
Voltei a olhar o mar, controlava as lágrimas que insistiam em querer deslizar pela minha cara.
Escostaste-te a mim, tocaste nos meus ombros deixando as tuas mãos caírem até tocarem novamente nas minhas.
"Adeus meu anjo, minha vida, meu tudo", foram as tuas últimas palavras.
Acordei horas mais tarde, sozinha, na tua cama.
Ao meu lado, um espaço vazio, os lençóis remexidos. Um bilhete e uma rosa vermelha, a minha flor favorita.
"Obrigado pela noite, tanto por esta como por todas as outras. És tudo o que eu sempre quis."
Como estava na tua cama, talvez nunca deixaremos os outros saberem.
Deixamos a ideia de que possa ter sido mais um sonho. Flashes da minha cabeça.
Ou então.. Talvez o que mais desejamos se concretize. Talvez te tenha para sempre.
Talvez já te tivesse.