quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ten little soldiers screaming in my soul.

Os amores passados entristecem-me.
São como ervas daninhas que se agarram com força a corações alheios gritando em surdina, ainda que raramente ouvidos, na esperança de chamar a atenção que nunca mais irão ter.
Amores do passado, mas ainda presentes num dos lados da equação, são obsessões sem sentido, carências desmedidas, cegueiras causadas pela sede de mais um minuto do que tudo era no início. Um minuto impossível de obter.
É triste como as pessoas preferem não ver o que lhes está em frente aos olhos, em frente à alma, por vezes pobre e sem carisma, ou apenas inocente e... estúpida.
Estes amores entristecem-me apenas porque gosto de personalidades fortes. De lutadores. Lutadores inteligentes que sabem quando parar, e não dos que juram nunca desistir ainda que seja a coisa mais destrutiva que podem fazer.
Há amores que nunca deviam ter existido. Paixões sem nexo, que partiram e deixaram apenas o arrependimento, ainda que não consensual.
Mas nem tudo pode ser como queremos.
E, quando não resulta, basta-nos aceitar, humanamente ou não tanto assim, o que o "destino" nos reservou.
De qualquer forma, os amores passados entristecem-me.
Mas, mais cedo ou mais tarde, extinguem-se e, aí, todos seremos mais felizes.

sábado, 5 de setembro de 2009

There are days that are harder without you.

Há dias assim.
Acordamos do lado errado da vida, claramente na escuridão, ainda que a luz não hesite em entrar pela janela. Queremos logo que chegue a noite, para podermos dormir e não termos de pensar, conscientemente, em nada. Preferimos arrastar-nos pelos dias ainda que, quase sempre, essa seja uma das coisas que mais detestamos.
Há dias em que parecemos não conseguir soldar as dívidas que o coração acumulou. Em que não conseguimos retribuir nem os míseros favores que a vida nos foi fazendo, ao longo do tempo.
Dias em que a chuva parece cair apenas sobre nós, enquanto que o sol envolve os outros e brilha mais do que alguma vez o fez, mas essa chuva não nos sabe bem, como nas vezes em que saímos à rua apenas pelo refresco matinal que nos desperta e apaga em nós as memórias de uma noite mal passada. Há dias em que a chuva se torna numa tremenda tempestade, em que nem os trovões nos fascinam, quando cruzam o céu púrpura da noite.
Há dias em que o passado nos assombra o espírito. Em que todas as discussões parecem outra vez tão próximas como no momento em que aconteceram, em que os antigos amores voltam e pedem uma segunda oportunidade, sem percebermos porquê.
Não conseguimos pensar sequer no que sempre soubemos. Pensar que no amor não importa o passado, importa apenas o presente e os presentes - eu e tu e quem nos quer bem.
Há dias em que não temos forças nem para nos erguermos e gritarmos "pára, por favor pára!", e fazermos a dor desaparecer. Não temos forças para dizermos aos outros para pararem de argumentar, para deixarem de nos tentar destruir - nós próprios já o fizemos, sozinhos.
Dias em que temos medo e sentimo-nos humilhados por isso. Estamos fracos e frustrados e o desespero cega-nos ao ponto de apenas vermos a única coisa que atingimos em tantos anos de vida: o falhanço. Fracassámos.
Temos dias, nas nossas vidas, em que queremos que os outros sofram tanto quanto nós. As suas lágrimas sabem-nos bem e não sabemos porquê, não é? O sofrimento alheio faz-nos bem quando não conseguimos suportar o nosso. É como se nos aliviasse um pouco o peso sobre os ombros, sobre o coração esmagado e quase irremediavelmente reduzido a veias e artérias comprimidas, sem função.
Há dias em que respirar nos cansa. Em que vemos que chorar não é solução - embora quase sempre sentimos necessidade de o fazer. Talvez seja por isso, por não ser remédio para a demência da mente (que normalmente seria motivo do meu orgulho por ser diferente), que digo que estou mal com um sorriso na cara, a quem me conhece - não vale a pena ter pena. Não vale a pena sufocar mais com palavras falsas, ou com lágrimas que de nada servem. Tenho dias em que enfrento os obstáculos com um sorriso.
Há dias em que pensamos que é preferível desistir. Por vezes até sabemos que seria mesmo o melhor para nós. Até eu sei disso, quando vivo esses momentos, mas não o consigo fazer. Não sou uma desistente. Luto sempre pelo que quero, por vezes demais. Páro apenas quando vejo a luz, e a vida está por um fio.
Há dias em que somos mais humanamente influenciáveis do que costumamos ser. Uma traição, por exemplo, às vezes custa apenas porque é suposto custar. Ouvimos dizer que dói muito, por isso, quando acontece, pressupomos que está mesmo a doer. Pressupomos que nos sentimos destruidos, apenas porque sempre vimos todos encarar essas situações assim.
Há dias em que queremos apenas dizer adeus a todos os que amamos, e desaparecer por uns tempos. Queremos trancar-nos no fundo de um armário, por detrás das roupas há muito esquecidas, como uma criança que brinca às escondidas e espera não ser descoberta.
Dias em que nos sentamos num canto do sofá, à lareira, com o pijama amarrotado e impropriamente colorido para a ocasião, e nem o fogo nos consola. Parece consumir-nos por inteiro.
Temos dias em que passamos a achar que estamos destinados a sofrer, a ter o coração estilhaçado. Pior - há dias em que deixamos de acreditar no destino.
Há dias em que, momentaneamente, deixamos de acreditar naquilo que quisemos e cremos uma vida inteira.
Mas, surpreendentemente, quando isso acontece, o cavalo branco relincha lá fora, mais cedo ou mais tarde, e relembra-nos o conto de fadas.
Relembra-nos a história que vivemos, pela qual damos tudo de nós, ou a que acreditamos um dia vir a ter.
Aí, olhamos em volta e constatamos que afinal é fácil continuar a lutar: é um novo dia.
E, se é um novo dia, há um novo começo.