quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Spinning around as if the world was crashing.

Sinto-me a rodopiar.

Vejo-me a rodopiar no vazio, envolta em branco, em mágoa. Envolta na claridade daquilo que me parece um túmulo de sombras, de trevas.
Vejo o mal como algo enevoado, mas presente. Não gosto de imaginar um mundo negro de dor, um mundo tão cliché como isso.
Sinto-me como um piano desafinado nas mãos de um pianista com amor à sua arte. Talvez me tratem como deviam e o problema esteja, de facto, em mim. Talvez eu seja o problema.
O mundo gira à minha volta e a cabeça perde-se no movimento, nos círculos largos e estranhamente apertados e sufocantes, na estrada ondulante que me circunda o corpo e parece levar todos os caminhos correctos para bem longe de mim.
Sei não ser a única. Sei não ser a única que entrou nos caminhos de histeria e de desespero, que entre narcóticos fazem com que uma ida ao hospital pareça a solução para todos os problemas. Veria quem se preocuparia para, de madrugada, sair da cama e visitar-me, consolar-me, ainda na minha inocente inconsciência, ainda na dormência do que o sofrimento me proporcionou.
Preciso de um salto no tempo, uma falha deste, um género de time gap para a felicidade. Os dias parecem ser sempre os mesmos como se os erros nos passassem à frente sem saltar à vista, como se estivéssemos condenados a repetir os dias para consertar algo que não parece estar lá. Como se o arrastar pelas manhãs e noites não fosse castigo suficiente. Como se o passar do tempo fosse irrelevante. Pior, como se este arrastar pelos dias com vista a um dia diferente não fosse tortura suficiente para uma alma só.

Rodopio e a chuva que cai não me trava, não me impede de girar sobre mim própria, sobre as linhas de óleo que se espalham em padrões irregulares no piso molhado.
Ouço o som de buzinas e ouço gritos ao longe que talvez estejam mais perto do que imagino, mas não abro os olhos pra ver. Prefiro a ignorância. Prefiro ouvir os gritos, sentir o tremer de pânico nas vozes, mas não ver lágrimas na face de ninguém. Correm lágrimas suficientes no interior das minhas pálpebras cerradas, no interior do meu corpo curiosamente desfeito pelo amor.
O amor é destrutivo, sim. É destrutivo quando nos leva a lançar-nos a dançar histericamente em busca de algo que ainda nos faça feliz. Este mundo branco é a minha única fuga, o meu único destino.
...
Quase não sinto o impacto quando se dá.
Em mim, nos meus pensamentos, já se tinha dado há muito.
A alma já estava desfeita. A morte do meu corpo, pelo carro dele, pouco me disse.
Ouço-o gritar. Ouço-o implorar por ajuda mas ninguém quer saber, ninguém se importa, ninguém me acode porque esta era a minha salvação.
Desvaneço com a voz dele. Desvaneço com os gritos surdos que desaparecem tão lentamente como as lágrimas que me secam já nos lábios, com o vento que sopra frio, de oeste.
Tenho-o ao meu lado, mas desvaneço sozinha, no meu mundo branco. No meu rodopio eterno, na minha claridade, na minha histeria.
...
Acordo nua no chão do meu quarto, horas depois de me trancar lá, deitada, dormente.
Ninguém deu pela minha falta.

domingo, 25 de outubro de 2009

I just wanted him to know...

I love him with all that I am. He's the most important part of me. He's everything.

I need my little piece of heaven, my chéri. Don't give up on us after 5 months, love.