Descobri que o mundo não passa de um conjunto de enganos.
Erros, tentações, traições cometidas ou por cometer.
É um conjunto de caminhos pecaminosos e mal escolhidos, por inocência ou conscientemente, um conjunto suficientemente grande para nos albergar a todos, ocultos sob um manto de honestidade forçada.
Não há espaço para ser real, para ser fiel a princípios ou a regras que cedo estabelecemos.
No mundo, quebramos as nossas próprias regras. Traímo-nos até a nós mesmos.
Cedemos às novidades como se nada nos prendesse ao que temos. Como se não amássemos suficientemente o que há muito já era nosso.
Desistimos do que construímos por meros segundos de êxtase, por acasos pontuais, numa atitude infantil e irresponsável. Mas sabe-nos bem...
Ultimamente tenho andado a pensar no que seria do mundo sem pudor. No que seria de nós sem o "politicamente incorrecto", o "socialmente inaceitável", sem a manipuladora vergonha que não nos permite fazer o que queremos fazer, exactamente no momento em que o faríamos se pudéssemos.
Como seria tudo se beijássemos alguém a meio de uma conversa, sem motivo nem aviso, simplesmente porque sim, porque queríamos?
Se pudéssemos, a qualquer momento, mudar de país sem malas nem bagagens emocionais, deixando a vida para trás, sem uma data de regresso definida.
Penso como seria se pudéssemos parar de pensar em tudo o que os outros achariam, abater as consequências, e fazer o que o coração nos mandasse.
O mundo é só um conjunto de erros, tentações, traições e pecados mas..
Se isto acontecesse, talvez fosse mais feliz.
Melhor, talvez deixasse de estar feliz e passasse a ser feliz.