Estou cansada.
Ah, quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
A vida não são só momentos bons.
Não são só certezas e sorrisos e felicidade de estar cá, de corpo e alma. Eu não me sinto cá de forma alguma, não sorrio com vontade, e bem sei o quanto estou insegura.
Queria amarras. Algo que me segurasse com força e me prendesse aqui, ao momento, que me mostrasse que sou precisa para alguém ou para alguma coisa. Mas até as amarras que tinha, de momento me parecem bambas e estupidamente instáveis. Continuo a querê-las. Quero-as tanto.. Às mesmas, as que sempre me agarraram. Mas já não há essa vontade do outro lado. Já não há entrega, devoção. E onde fiquei eu? Porquê tudo isto? Terei sido eu a culpada?
Os planos futuros e as boas memórias passadas, de momento, não me animam. Vou ficar na esperança de que qualquer pormenor o faça...
E como comecei com o grande Pessoa, despeço-me com Pessoa também.
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites.
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, sem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites.
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, sem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.