quarta-feira, 31 de março de 2010

Today I'll dance in the pain.

Estou cansada.

Ah, quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!

A vida não são só momentos bons.
Não são só certezas e sorrisos e felicidade de estar cá, de corpo e alma. Eu não me sinto cá de forma alguma, não sorrio com vontade, e bem sei o quanto estou insegura.
Queria amarras. Algo que me segurasse com força e me prendesse aqui, ao momento, que me mostrasse que sou precisa para alguém ou para alguma coisa. Mas até as amarras que tinha, de momento me parecem bambas e estupidamente instáveis. Continuo a querê-las. Quero-as tanto.. Às mesmas, as que sempre me agarraram. Mas já não há essa vontade do outro lado. Já não há entrega, devoção. E onde fiquei eu? Porquê tudo isto? Terei sido eu a culpada?
Os planos futuros e as boas memórias passadas, de momento, não me animam. Vou ficar na esperança de que qualquer pormenor o faça...

E como comecei com o grande Pessoa, despeço-me com Pessoa também.
 
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites.
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, sem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

sábado, 20 de março de 2010

Memories, sharp as daggers.

Quero que me abraces.
Tu que não me conheces ou que me sabes melhor que eu própria, tu que te cruzas comigo a todos os minutos ou nunca me viste sem ser em fotografias.
Abraça-me quer o queiras quer não, quer te importes, quer não queiras saber. Envolve-me apenas nesse calor tão teu, tão humano, tão distinto, e não digas nem uma palavra. Entrega-me ao silêncio e abraça-me com força, não me deixes cair para lá do chão.
Abraça-me, tu que já partiste, tu que há muito desapareceste com uma despedida rude ou simplesmente sem avisar. Volta e abraça-me só mais uma vez, passado, porque sinto tanto a tua falta...
Pessoas passadas, presentes, futuras... Não importa, só importam os braços que me puxarem, cortados ou inocentes, femininos ou fortes, marcados.
Não procurarei conhecer-te nem olhar-te os traços, analisar-te as expressões - só te sentirei o perfume, porque me sinto embalada e é mais fácil deixar secar as lágrimas que me vincam as faces transparentes de emoções.
Abraça-me, pecador ou ingénuo, amigo calmo ou dono de todos os defeitos do mundo. Aceito-te ainda que cometas todos os erros que odeio, aceito-te ainda que não estejas consciente e estejas neste mundo só de corpo. Aceito-te de qualquer forma, em qualquer momento, sem que peças nem tenhas de mudar ou ocultar o que és. Aceito-te a troco de um abraço e, de olhos cerrados, não verei sequer quem és.
Apenas quero que me abraces.