Preciso de escrever algo. Alguma coisa, qualquer coisa. Preciso de gritar e desabafar e destruir tudo o que vejo e tudo o que existe.
Estou irritada comigo mesma. Estou nervosa, ansiosa.
Quero um buraco para me esconder mas ainda ninguém inventou os ditos campos esburacados para enterrarmos as cabeças, tais avestruzes frustradas e medrosas.
Não estou chateada com ninguém. Estou triste comigo. Só comigo. Triste por não aproveitar a importância que me é dada, por querer mais e mais e mais e acabar por ter menos, cada vez menos. Sou eu que me rebaixo.
Por cada segundo que me amam, faço-os odiar-me um dia. Proporções desmedidas, catastróficas, mas reais.
Sinto que me odeias. Sim tu - tu família, tu namorado, tu amigos. Tu mundo. Odeias-me? Não respondas, eu sei, eu sei...
Quero quebrar janelas, cobrir as paredes com baldes de tinta negra, partir os lápis de cera que me relembram a infância. Quero gritar e fazer do caos do mundo o meu caos, o meu pequeno refúgio infernal. Se tem de haver caos, que seja eu a criá-lo.
Preciso de mandar fora toda esta raiva, tudo isto que se acumula em mim e não me deixa respirar descansada.
Quero paz interior.