Há uns tempos, estava na moda aquela música pavorosa da Avril que falava de um casal em que ele era punk e ela fazia ballet.
Ora isto assim não se assemelha a nada. Mas fez-me lembrar o cliché dos namorados diferentes, como nos filmes americanos em que o desportista burro anda com a cheerleader mais cobiçada da escola.
E bem, nenhum de nós é isso, mas é impossível não estabelecer uma ligação.
Ele sempre foi livre. Sempre saiu conforme queria, sempre se divertiu com os amigos sem regras, sempre se deu a experiências e aos mais variados prazeres da vida. Nunca teve grandes proibições nem ordens para estudar, e ia às mais variadas festas sem horas para chegar a casa. Para passear? Comboio ou autocarro. Tudo é bom para sair um pouco de casa, e não conseguia estar muitas horas entre quatro paredes.
Marcado por uma vida complicada, teve sempre os seus ideais bem definidos, cheios de sonhos de uma vida melhor, mas nunca se esqueceu de aproveitar bem o presente.
Nunca foi de comprar coisas que não precisava, nem esbanjar dinheiro em coisas que muitos acham fúteis.
Eu fui educada numa redoma. Como filha mais nova, depois de um irmão que nunca foi muito dado a grandes saídas, cresci sendo sempre afastada dos rapazes e de sítios potencialmente perigosos. Sair sozinha? Nem pensar. Foram sempre os meus pais a ir-me pôr e buscar a qualquer festa, com horas controladas e rígidas, especialmente se fosse à noite. Quanto a experiências, fiquei-me por um cigarrinho de vez enquando (coisa que os meus pais nunca poderiam saber), e uma grande adoração ao álcool. Até as crenças, inexistentes para ele, tiveram um certo peso nesta minha decisão de não experimentar mais nada.
É claro que nunca fui submissa - quem me conhece sabe que, quando não gosto, não calo. Tiveram muitas reclamações que ouvir, e muito que sofrer com as minhas revoltas de adolescente.
Apesar disso fui sempre tratada como princesa. Nunca me faltou dinheiro para as coisas, ia todos os anos para um país diferente e, todos os Verões, lá estava eu num hotel de luxo nas Caraíbas. Ofereceram-me um cavalo, a carta de condução, um curso numa universidade privada. Posso dizer que fui mimada.
Desde o início que tivemos consciência de que éramos de mundos totalmente diferentes, opostos.
Mas será isso assim tão importante?
A mim basta-me uma coisa... Que a nossa vida futura seja comum e feliz.
"You are everything I want because you are everything I'm not."