Esta vida é feita de escolhas, de cedências.
Damos por nós a desistir das paixões arrebatadoras pelo amor confortável, a seguir caminhos que nunca teríamos visto como viáveis se não fossem as circunstâncias.
Sufocamos com o medo de perder quem mais queremos, trocamos os amigos de sempre pelos que passaram a estar connosco todos os dias mas que pouco nos são.
Eu já escolhi muito, e odeio escolhas. Odeio essas estradas de caminhos incertos, cheias de recantos escuros e pedras bicudas, em que tanto podemos ir dar a becos sem saída, como a sonhos, a pesadelos. Não gosto de não saber ao que vou.
Agora sinto o mundo nos ombros.
Podia desistir de ti, deixar-te para trás e não prolongar mais a espera, o sofrimento, os apertos no peito. Podia não tentar mudar bruscamente a minha vida, por nós. Mas não foi isso que escolhi.
Escolhi lutar, ignorar os nós no estômago e as noites mal dormidas com as lágrimas das memórias, superar os dias e dias que não te tenho comigo. E sabes porquê? Porque sei que vale a pena. Porque sei que, se conseguirmos - e, com tempo, vamos conseguir - vai ser o melhor do mundo e vai valer cada segundo que estivemos afastados.
Agora resta manter-me de pé, sem deixar o globo cair.
Ficas do meu lado...?
