Nunca mais volto a dizer "desta água não beberei" em relação às áreas de intervenção na Terapia da Fala.
Desde que conheci o curso, lá pelo meu 10º ou 11º ano, que meti na cabeça que queria trabalhar exclusivamente com crianças. Aceitar um ou outro caso de adultos, porque lá teria mesmo que ser, mas especializar-me nisso não. Queria era autistas, muitos autistas. E depois já queria autistas e surdos.
Ao querer surdos, começou a abrir-se a janelinha dos jovens e dos adultos - afinal de contas, quantas crianças surdas apareceriam? Ao gostar da área, tanto me faria a idade dos utentes.
Pois que depois entrei na ESSA, ainda com isso na cabeça. Estagiei sobretudo com crianças e confirmou-se o meu amor pela coisa (mesmo pelos que não eram surdos nem autistas e tinham apenas problemas de linguagem). Descobri também o mundo das paralisias cerebrais, em que é preciso estofo, mas que parecem muito interessantes.
Eis que vem o 2º ano e, com ele, a disfluência (gaguez). E a bela da Inês fica a pensar que gosta muito de gagos.
Mas a verdadeira revelação não foi essa. A verdadeira revelação... foram as afasias. A coisa que eu achava que menos iria gostar. Não sei se foi por ter um professor espectacular, se é por gostar de como as aulas são dadas, mas ando a adorar. Posso não gostar da intervenção, ou não ficar a adorar esta área tanto como as que gostava inicialmente, mas já não sou capaz de dizer que não quero trabalhar com afásicos (que geralmente são idosos).
E ainda estou para ver como é o trabalho na neonatologia (bebés!).
Basicamente, não volto a dizer que "nunca vou querer trabalhar em x".
Mas digo que, muito provavelmente, irei sempre fugir dos casos de voz como o diabo da cruz (perdoa-me, querida prof. de ORL, fizeste-me acreditar que ia gostar da área mas acho que ia chegar a casa todos os dias entediada de morte).
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