segunda-feira, 19 de março de 2012

Perder-se também é caminho.

"Se não o desejares com todas as tuas forças, se o cheiro dele não teimar em permanecer no teu cérebro, se não deres por ti perdida no caminho porque estavas a pensar nele e nem reparaste que a saída da autoestrada era lá atrás, se não te imaginares a tocá-lo ao mesmo tempo que tentas negociar o melhor spread com os tipos do banco, se não se te afigurar que não há outro igual no mundo, se não te questionares sobre o que andavas cá a fazer antes de ele existir, se não te sentires insignificante quando ele fala, se não te deslumbrares, se não te parecer sublime a forma como ele se move, se não te perturbares porque o telemóvel está silencioso e já passaram dez segundos desde que lhe mandaste a mensagem, se não te afogueares só porque ele sorriu para a empregada do restaurante quando encomendou o jantar, então, minha cara, é porque não estás apaixonada coisa nenhuma."

(Seja isto de quem for, não é meu... Adaptei o género)


Para mim, estar apaixonada é isto.
Não é encontrar uma pessoa perfeitinha, com uma vida espectacular, sem problemas; um homem bem vestido, com um bom emprego; um príncipe encantado que me ofereça prendas e me leve o pequeno-almoço à cama com uma rosa vermelha pousada no tabuleiro.
Para mim, estar apaixonada é querer alguém com toda a bagagem que a pessoa traz - com os problemas familiares, com o cartão de crédito nas últimas, com a sacanice que a vida o fez passar a ter. É querer alguém mesmo que ele não nos queira, porque perdeu a fé no amor, porque deixou de confiar nas pessoas.
Cansa-me ouvir que alguém não é bom para mim por ter feito x, y ou z mal. Porque, se eu estou apaixonada, o a, o b e o c que fizeram bem valem mil vezes mais. Porque, se eu estou apaixonada, é porque acredito - acredito que aquela pessoa vale alguma coisa, acredito que aquela pessoa é mais do que os erros que cometeu.
Diz Miguel Esteves Cardoso que "já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.".
Cada vez mais noto que as pessoas querem um amor confortável, sem problemas, tudo muito fofinho e fácil, tudo muito meloso e romântico. Não discutem, dividem as tarefas domésticas, o parceiro não fuma, não bebe, não usa drogas, e é jeitosinho na cama. Partilham gostos, trabalham na mesma área, são o orgulho um do outro e só têm olhos para aquela pessoa.
Para mim, o amor não tem de fazer sentido. Não tem de ser fácil nem chapa-cinco. Não desisto por ver algo errado. Digo um "não faz mal, para a próxima será melhor", e acredito que será.
Se for preciso engolir o orgulho e ir visitá-lo ao hospital depois de fazer uma asneira que para mim é intolerável, vou. E dou-lhe na cabeça, mas depois também o beijo e digo que não faz mal, que para a próxima não vai acontecer - e, de novo, acredito nisso.
Tudo isto para dizer que, para mim, estar apaixonada é aceitar tudo. Não é saber dizer de cor e de frente para trás as qualidades dele, é conhecer os defeitos e aceitá-los na mesma, sem intenção de os mudar.
Quando me apaixono, sou assim. Não sou cega, não sou ingénua. Apaixono-me a 100%.
E quero acreditar que, algum dia, alguém se vai apaixonar por mim assim, com toda a minha bagagem, com todas as minhas asneiras, igualmente sem me julgar. Apaixonar-se por inteiro, tal como eu me apaixonarei por ele.

7 comentários:

  1. isso nao te está a acontecer? :p

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  2. A parte de me apaixonar? Sim.
    A parte de se apaixonarem por mim da mesma forma - não faço ideia..

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  3. Sem palavras para o seu texto...
    já visitava seu blogue, sem comentar as postagens. Mas hoje não resisti.
    O amor é exatamente isso. Essa é uma das melhores definições para o amor...principalmente porque combina com a minha opinião a respeito dele.
    Um beijo!

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  4. Fico muito feliz por ter gostado tanto, Isa, mesmo :)
    Beijinho!

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  5. Todos temos bagagem e todos queremos um principe encantado...mas esqueçam os planos e o homem ideal...quando alguém aparece e nos apaixonamos, pode não ter nada a ver com o que tinhamos planeado. Mas no final do dia, se nos faz feliz...porquê complicar? Por vezes apaixonamo-nos pela pessoa "mais errada" de sempre...mas essa acaba por ser a certa =)
    Um dia...
    Não procures...acaba por acontecer!
    Beijo*

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  6. Questiono-me se terás lido o que escrevi.
    Eu não quero uma pessoa ideal, não tenho nada "planeado" nem ando à procura...
    O que digo é exactamente que não quero saber se alguém é errado, eu dou segundas oportunidades e continuo a lutar pela pessoa que amo.

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  7. Muitas pessoas têm uma noção muito atrofiada do amor, e até mesmo da paixão. Gostei de ler este pequeno texto, porque me identifiquei com ele. Amar/gostar de alguém revela-se verdadeiramente quando vai para lá da superfície alegre e 'impermeável' do acto de gostar, da sensação de se gostar de alguém. Um dos gestos mais bonitos que se pode ter por alguém, quando se gosta, é tirarmos algum tempo do nosso dia (interrompendo mesmo algo que estivéssemos a fazer) para ir ter com essa pessoa e simplesmente ouvir. Sem segundas intenções, sem pensar duas vezes; apenas ir, estar lá, olhar nos olhos, ouvir: passa-se isto, e eu não estou bem, e preciso de ti.

    E é essa pessoa saber que pode pegar no telefone e dizer-te que precisa de ti, sabendo que não trocavas nada por um sorriso dela. E isso vale a pena, porque é gostar de verdade, e não gostar apenas de alguém pelas sensações agradáveis que nos traz quando as coisas estão estáveis (porque esse é um gostar falso, um semi-gostar).

    ~

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