"Sim, sou perigosa. E se não fosses tu a partir-me o coração, eu podia
partir o teu em três tempos, com a minha brutalidade, com a minha
depressão, com aquele orgulho filho da mãe ou intolerância de última
ponta. Sou doente mental, eu sei, gosto que me trates como uma diva
mesmo que me apeteça tratar-te como merda e não gosto de ser tratada
como merda quando te trato como um deus. Mas mesmo assim sujeito-me. Sou
meio-malcriada mas sou bonita. E sei lá explicar o que é elasticidade
em economia mas, em contrapartida, percebo imenso de gatos. Tenho um
excelente sentido de humor, desde que me apanhes de bom humor. E sou
preguiçosa mas subia aqueles quatro sinuosos andares para te cair
directa nos braços. (...) Não sou a mulher mais fácil do mundo mas sou a
única que te levou a sair de casa na noite de Natal para ir em meu
auxílio (...) Não te esqueças como sou tão única, que meti-te a paranóia
que a tua casa tinha espíritos devido aos sons estranhos que ouvíamos
durante a noite e que te obrigavam a levantar à procura da janela ou
porta mal fechada para que eu finalmente me calasse com os seres do
além. E de como quase pegava fogo à cozinha sempre que abria o bico
grande do fogão. Sim, também eu tinha medo disto tudo, de ser perigosa e
doente mental, de subir aqueles quatro andares até ao fim da minha
vida, dos jogos de futebol que ficariam por ver, das almas penadas que
viviam no sotão com as quais teria inevitavelmente de lidar, (...) de eventualmente um dia explodir com a casa toda a
brincar com o gás. É claro que também tinha medo disso tudo."
(de RBM, blog Viagens na Surrealidade Quotidiana)
Não tenho o hábito de postar textos de outras pessoas, mas este está algo de genial.
Para mim, o amor passa por essa loucura. Eu tenho essa loucura.
Todas temos essa loucura ^^
ResponderEliminarObrigado por partilhares...foi bom de se ler*
Infelizmente tenho vindo a conhecer muita gente a quem falta um bocadinho de loucura..
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