terça-feira, 29 de maio de 2012

Santa Casa e Alcoitão

O novo anúncio dos jogos da Santa Casa dá-me vontade de chorar.


"Anda por Alcoitão, pelos que tinham tudo para desistir 
mas são melhores do que isso."

Nenhuma frase poderia descrever melhor o CMRA. Nenhuma.
Alcoitão é isso mesmo, é esperança, é não desistir nunca, é aceitar de braços abertos a ajuda de alguém, numa altura em que a vida parece ter chegado ao fim. 
É querer chorar por já não se ser aquilo que se era, ou por ter nascido de forma diferente, e ainda assim ter forças para voltar no dia seguinte àqueles corredores intermináveis e continuar a Terapia. 
É saber que nunca se esteve nos 100%, ou que nunca se voltará a eles, mas lutar mundos e fundos para passar dos 50 para os 60%. 
E é chorar quando se consegue. 
É sorrir quando se consegue. 
É chorar, num sorriso, quando se consegue. Todos. As pessoas, os Terapeutas, os amigos feitos na sala de espera, entre consultas.
É muito difícil entrar em Alcoitão, é um murro no estômago, dói e mexe connosco de formas que nunca imaginámos. Mas, para quem vê para lá dos rostos cerrados, dos olhares de quem há muito não dorme, é um lugar belíssimo.
Ali, ninguém se atreve a desistir. Ali, todos voltam a ser alguém. Não há deficientes, apenas Pessoas.

Alcoitão é um dos sítios mais bonitos do mundo. E eu sinto-me tão, tão afortunada por fazer parte dele.


Deixo um excerto da reportagem O Meu Pequeno Mundo, que me diz muito, pela idade do rapaz e pelo problema de comunicação.

"Agora tenho de ficar bom." 

Ficou tudo dito. Não dá para não nos sentirmos pequeninos ao lado destas pessoas, destes vencedores. Mas também não dá para não nos sentirmos muito bem por, em breve, virmos a ser Terapeutas. Não por capricho, não pelo dinheiro, não porque calhou - mas porque nascemos para isso.

P.S.: Falei hoje com o Cristiano pelo FB. Só conseguia chorar. Ele já está a recomeçar a andar. Não consegui não lhe dizer que ele já é um vencedor e que tenho a certeza de que ainda vai melhorar imenso. Que vontade de lhe dar um abraço. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

I definitely love this!

Já ando aos saltinhos e a cantarolar, feliz e contente.
Ainda nem fui embora e já estou super animada com isto tudo. Finalmente posso dar bom uso ao meu hobbie de procurar apartamentos giros. A-do-ro.
Já me apaixonei por uns quantos mas, infelizmente, há que ser prática e arranjar um o mais próximo possível da faculdade (até porque os bares também são lá ao pé e assim posso arrastar-me até casa facilmente ahaha). 
Mas já há um excelente candidato! Uma casa pequenina e fofinha, que me parece mesmo querida e é na rua por trás da faculdade. Só me apetece ir já a correr para lá visitá-la e dizer um "simmm, eu fico com ela!". Mais coisa menos coisa, porque provavelmente ia ser um "yesss", vá (este cérebro já fritou com a misturada de línguas que para aqui vai).
E é isto, yay yay yay.

Acho que nunca mais volto para casa, just saying. Aquilo parece-me estupidamente brutal.

P.S. algo engraçado: eu ainda não estou inscrita. Erm, pois. Vou lá hoje, juro que vou.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Decisão tomada!

Decidi-me. Vou realizar um dos meus sonhos de sempre.
Hoje mesmo vou começar a ver quais os papéis de que tenho de tratar para ir para a Antuérpia.
Vou sozinha e, em princípio, vou ficar a viver sozinha por lá, para ter o meu espaço.
Mudo-me já em Setembro. E estou mais do que ansiosa :)


Algo me diz que vou ser muito feliz aqui.

E aquele que é, para mim, o passo mais importante, já foi tomado - não basear a minha decisão em ninguém para além de mim. Fazer aquilo que eu julgo ser o melhor para a minha vida. Dar o meu primeiro passo sozinha, em direcção a uma vida diferente.

domingo, 13 de maio de 2012

Uma Questão de Inteligência

Esta noite sonhei que me chateava com um dos meus melhores amigos por ele questionar a minha inteligência, pelo que me decidi, finalmente, a escrever sobre isso.
Acho que desde sempre, mesmo na altura em que a minha auto-estima não andava muito bem, sempre valorizei imenso a minha inteligência. Acho importante, e orgulho-me dela.
Vejamos, não é preciso ser supra-sumo nenhum nem estar acima da média. Se estou ou não, não sei, nunca me meti a fazer aqueles testes de QI que andam aí muito na moda. Mas sempre tive as melhores notas da turma, sempre fui gabada pelos professores, sempre vi que conseguia um 17 ou um 18 mais facilmente do que os outros tiravam um 14, por exemplo.
Uma das coisas que me sabe melhor ouvir um namorado dizer, é precisamente que sou inteligente. Bem mais do que ouvir que sou linda e estonteante e ai-que-davas-uma-modelo-melhor-que-a-Gisele Bündchen, gosto de sentir que acreditam nas minhas capacidades. Gosto de ouvir dizer que sabiam que eu ia conseguir fazer x, porque tinha capacidade, ou que iria sem dúvida atingir o objectivo y porque se havia pessoa que o conseguiria fazer era eu.
O facto de os meus pais serem professores (um do ensino primário, outro do 2ºciclo) também me faz ver que há crianças completamente ocas. E isso deixa-me a pensar porque serão alguns assim - será falta de estimulação? Será a genética que não é muito favorável?
Tudo bem que a inteligência não se vê propriamente pelas notas, a cultura acaba por ser o mais importante. E, aí, sei que os meus pais tiveram o mérito todo, porque me levavam muito ao cinema e ao teatro, porque desde pequena que sempre viajei, porque me incutiram métodos de estudo e me mostraram a importância de ler. Felizmente nunca andei sequer num colégio, cheguei a ter turmas com alunos fracos, e isso não me atrasou.
Vejamos, ninguém é bom a tudo. Eu sempre tive jeito sobretudo para as Línguas e, talvez por ter começado a ler e escrever muito nova, ganhei um gosto enorme para a escrita e, pelo que sempre ouvi dizer, também o fazia bem. Agora não vou é achar que, por isso, sou o próximo Newton ou Einstein e vou ali inventar alguma coisa mais impressionante que a luz eléctrica ou o pão-de-forma, ou descobrir o sentido da vida.
Se há algo que me daria um desgosto enorme, era os meus filhos virem a ser daqueles com uma noz no lugar do cérebro a quem se pergunta qual a operação para passar de 4 _ 10 = 40, e que ficam a olhar de olhos esbugalhados até atirarem um "é de mais...?", "divide-se...?". Ou chegarem ao 4º ou 5ºano e ainda não saberem ver as horas, confundirem os ponteiros ou não saberem que os minutos são de 5 em 5. Pior, chegarem à adolescência ou à idade adulta a dizerem que não gostam de ler - que é coisa que me deixa de pé atrás, seja com quem for. Pior ainda!!!, a dar erros como "disses-te" e "fizi-o".
No meu secundário queria era namorar e desleixei-me um pouco. Ora embirrava com os professores, ora não gostava da matéria. Nessa altura, cheguei a dizer que me sentia burra (apesar de saber que não era, apenas andava meio perdida). Mas já dizia Einstein que "se julgarmos um peixe pela sua habilidade a trepar árvores, ele vai passar a vida inteira a julgar que é estúpido". E é verdade. Cada um tem os seus pontos fortes e outros em que é menos bom. Mas nunca mais me apanham a dizer que sou burra, porque realmente a minha cabecinha é algo de que tenho muito orgulho, porque efectivamente tem alguma coisa lá dentro, não serve só para ter cabelo e para ter onde pendurar os brincos.
Ouvir alguém dizer que é burro, especialmente quando não é, é coisa para me dar espasmos. Até porque, hoje em dia, os inteligentes já não são os anti-sociais que não saem de casa, que têm óculos redondos e aparelho, e se vestem com coletes de malha! E, infelizmente para muita gente, as burrinhas também não são todas abençoadas por uma beleza de cair para o lado, tipo cheerleader dos filmes americanos (apesar de eu achar que alguém pode ser lindo lindo lindo mas, se não tiver nada na cabeça, não vale 0 - mas também não vou ser cínica e dizer que só a inteligência é que conta!) :)

P.S.: Passei o post inteiro a achar que estava a escrever isto como se fosse a rainha da minha aldeia e o expoente máximo de inteligência e cultura. Mas não, nada disso. Quis escrever sobre a inteligência e saiu assim, de qualquer forma também já passei demasiados anos a mandar-me abaixo ;)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Terapia

Bem dito, bem feito.
O estágio de hoje nem foi mau, pois que não. A terapeuta não é propriamente o meu tipo de pessoa preferida, mas como profissional lá se escapa, tirando o facto de só comentar os exercícios quando é para dizer mal, e de nunca dar um miminho, um "é isso mesmo"! Terapeuta de esquina, como eu gosto de chamar.
Mas nem é isso o relevante aqui.
O relevante é ter sido estágio de Voz. E eu não posso com Voz nem pintada, em grande parte por causa dos professores que nos têm calhado, mas também por achar que um problema de voz não tem metade do impacto na vida de uma pessoa como tem uma afasia, uma surdez, uma perturbação da comunicação como o autismo que, para além disso, também afectam a dinâmica familiar, toda a vida social e, sobretudo, a motivação e a felicidade daquelas pessoas.
Pior, não me cabe na cabeça como é que alguém que se queira denominar Terapeuta, tem cara para dizer que gosta muito de receber um utente, aconselhá-lo sobre os exercícios que tem de fazer em casa, e recebê-lo passado duas semanas estando já ele muito melhor. Minha amiga (porque isto é algo direccionado para o meu ódiozinho de estimação), se ser Terapeuta fosse mandar trabalhinhos de casa e esperar pelas melhoras, tínhamos ido para Medicina. Os médicos é que passam medicamentos e dão recomendações e depois "olhe volte cá daqui a 15 dias para ver como é que isso está".
A Terapia, a meu ver, pressupõe uma base muito sólida de confiança, de amizade. Pressupõe uma entrega daquela pessoa, ou da família, e a nossa palavra em como vamos fazer tudo para a ajudar. Em como lhe vamos melhorar a vida. Pressupõe dedicação. Na Terapia não importa se a pessoa melhorou em 5 sessões ou se ali passou dois anos. Interessa o caminho, a aprendizagem. Interessa aquela pessoa ter ali um apoio, um ombro amigo, por vezes (demasiadas), o único.
Ser Terapeuta não é esperar pelo resultado final, é trabalhar regularmente ao lado daquela pessoa (nunca à frente), é acompanhá-la no caminho para reaver a sua vida ou, pelo menos, torná-la o mais confortável e funcional possível.
E, para mim, isso nesta área não se vê. Por isso, a menos que tenha muito azar e precise mesmo do emprego, também não irei trabalhar nela. Há mundos bem mais bonitos que esse.

P.S. Mas, vendo o lado positivo.. Pelo menos os maus profissionais (que não é o caso desta terapeuta do estágio, mas da dita professora que faz o que mencionei acima) fazem-me ver exactamente qual o tipo de Terapeuta que eu não quero ser ;)

domingo, 6 de maio de 2012

Challenges

Não sei quando exactamente é que passei a aceitar tão facilmente os desafios.
Acho que me cansei de sentir que a minha vida podia ser bem mais do que já era. Sobretudo, cansei-me de ter medo.
A vida é curta demais para desperdiçar oportunidades. Curta demais para se ser infeliz, para se esperar que tudo nos venha cair no colo.

E, por isso, aceitei mais um desafio... Se estou com medo? Estou. Mas vou sair-me bem, eu sei que sim. Por isso, se tudo correr como planeado, em Setembro mudo-me de armas e bagagens e vou passar a viver aqui:


E haverá lá coisa melhor do que o orgulho que sinto quando supero os meus medos e saio por cima?

sábado, 5 de maio de 2012

Faith in humanity: restored!

Estive para aqui a ver uns pictogramas que arranjei, facilitadores da comunicação, muito bons para usar com autistas, por exemplo.
Havendo pictogramas para tudo e mais alguma coisa, a certa altura aparece um a ilustrar uma "relação sexual".

 Mas depois continuei. E surgiram as seguintes imagens, sobre o mesmo assunto.
 
E eu gostei tanto e achei tão bonito.
Pelo menos nas nossas sessões, já não temos de trabalhar mergulhadas em preconceito.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Olivier!

Também quero ser como as estrelas da blogosfera que vão a restaurantes super chiques e bem frequentados e vêm para os blogues anunciar o bom que foi.
Pois que hoje o jantar foi aqui, e só tenho uma coisa a dizer - damn!


 Olivier


Com aquilo cheio até à porta e gente à espera de mesa às 22.30h, depois venham-me dizer que é a crise... Há muita crise, há. Not.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Travadinha em 3, 2, 1...

Pois que afinal houve um contratempo e estou a ver a minha vida a dar uma volta de 180º.
A hipótese do Reino Unido é de uma num milhão - já me aconselharam a desistir, apesar de ir continuar à espera de respostas. Basicamente não querem estrangeiros lá, no meu curso.
E eis que surgiu uma hipótese que nunca me tinha sequer passado pela cabeça... Bélgica. Aulas. A começar já em Setembro/Outubro. 
E o melhor? Tenho neste momento cerca de 20 dias para decidir se vou ou não.
O meu estado de stress neste momento é algo de indescritível.
Fuck.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Por dias melhores

Se há coisa que me faz confusão, são os estados depressivos em que as pessoas insistem em ficar. Don't get me wrong, eu sei bem o que é estar no fundo. Conheço todos os cantinhos da depressão, da falta de auto-estima, da vontade de atribuir as culpas de tudo ao mundo e deixarmo-nos ficar quietas à espera de dias melhores.
O que também sei, exactamente por já ter passado por isso, é que, para quem está assim, os dias melhores nunca chegam. Há sempre um problema. Quando não é um problema do momento, é um problema futuro. Nunca a vida corre bem.
Mas, as depressões, eu consigo compreender. O que eu não compreendo é a falta de vontade de sair delas.
Quantas e quantas pessoas vivem infelizes com a vida que levam, muitas vezes sem nada de realmente bonito e importante a apontar, e assim ficam, atirando um "eu sou assim..." ou um "as coisas não são assim tão simples..."?
Realmente não são, não são simples. É preciso batalhar muito, e muitas vezes vão remar e remar e remar e o barco vai virar-se para trás na mesma. E vão conseguir ter muitos dias bons mas vai chegar um em que voltam ao mesmo, se calhar sem qualquer motivo válido, e parece que estão de novo no ponto de partida.
Mas é aqui que se vê o valor de cada um. É aqui que se vê a força, a determinação, a vontade de viver, de aproveitar.
É nesse dia mau que a diferença chega. Porque podem voltar, de facto, à estaca zero, ou podem levantar a cabeça e decidir que não, não vou voltar a ser assim. E, quando decidirem isso, por mais tentação que haja de deprimir quando a sorte não bate à porta, nesses dias vão apenas ver que é um dia mau mas que, como tudo, acabará por passar. Nesse dia, serão pessoas novas.

Lutem. 
Respeitem-se, façam algo por vocês mesmos.

Todos já tivemos fases de menor auto-confiança. Umas mais curtas, outras mais longas. Mas já todos soubemos o que é olhar para nós mesmos e não gostar do que vemos. E falo do todo, e não só do aspecto.
Mas é imperativo demonstrar confiança, e isto vale para todas as áreas da nossa vida. Para já, porque a fraca auto-estima nos tira metade do interesse e faz com que não consigamos dar tudo de nós, porque os medos e as inseguranças se sobrepõem a tudo. E, profissionalmente, também temos de mostrar que sabemos o que estamos a fazer, que devem confiar em nós, que somos as melhores Terapeutas e que os tratamentos vão resultar.

Acreditem.
Sobretudo, apreciem-se. Não há nada mais bonito do que alguém que goste realmente de si. E que adore viver.