Perto da uma da manhã, pouco mais se ouve na rua do que esporádicos latidos de cães e o barulho dos camiões que passam para recolher o lixo. Reparo que quase todos os estores estão fechados, com excepção de uma ou duas janelas em que ainda se vê luz.
Os carros, que durante o dia passam constantemente, já passam espaçados. Os seus condutores, despreocupados pelo pouco trânsito, aceleram, apressados, rua fora, sem tomar grande atenção, talvez na ânsia de chegar a casa.
Gosto deste confronto entre a confusão do dia e a calma da noite. Sinto que tenho o melhor dos dois mundos.
Deixo-me ficar perto da janela - o Verão começou há pouco e a temperatura esteve tão alta que consigo sentir o calor nos pés, pela madeira que o sol aqueceu. A brisa traz aquilo que mais aprecio na estação, o ar denso com cheirinho a flores e a quente.
Costumo perder-me em pensamentos enquanto me distraio a fazer alguma coisa, que não sou pessoa de estar parada, mas hoje não - hoje não consigo largar a vista da noite. Engraçado pensar em tudo o que já vivi a olhar para esta mesma rua - afinal de contas, não conheço outra vista, desde que nasci que é esta a vista que tenho.
Não sei definir o que me passa pela cabeça. Melhor, sei, sei sempre. Não consigo é expressar este turbilhão de ideias. O álcool, que já me galopa pelas veias, não ajuda.
Os grilos distraem-me.
Acho que tudo o que queria no mundo agora era um abraço. Não qualquer abraço, o abraço. Aquele abraço que me faria deixar de ouvir os comboios ao longe. Aquele abraço terno e apertado, como quem diz "finalmente, juntos". Era o bastante para fechar a janela e deixar de pensar no mundo lá fora, pois só aquele mundo, criado por nós, importaria.
Ou simplesmente para saltar para o teu colo, entrelaçar as mãos nas tuas e ficar assim, num abraço, a aproveitar o cheiro a Verão e a luz da noite, já sem reparar nas janelas fechadas e nos sons distantes, para antes ouvir cada respiração, sentir cada toque subtil, viver cada pedacinho do nosso pequeno mundo.
Os carros, que durante o dia passam constantemente, já passam espaçados. Os seus condutores, despreocupados pelo pouco trânsito, aceleram, apressados, rua fora, sem tomar grande atenção, talvez na ânsia de chegar a casa.
Gosto deste confronto entre a confusão do dia e a calma da noite. Sinto que tenho o melhor dos dois mundos.
Deixo-me ficar perto da janela - o Verão começou há pouco e a temperatura esteve tão alta que consigo sentir o calor nos pés, pela madeira que o sol aqueceu. A brisa traz aquilo que mais aprecio na estação, o ar denso com cheirinho a flores e a quente.
Costumo perder-me em pensamentos enquanto me distraio a fazer alguma coisa, que não sou pessoa de estar parada, mas hoje não - hoje não consigo largar a vista da noite. Engraçado pensar em tudo o que já vivi a olhar para esta mesma rua - afinal de contas, não conheço outra vista, desde que nasci que é esta a vista que tenho.
Não sei definir o que me passa pela cabeça. Melhor, sei, sei sempre. Não consigo é expressar este turbilhão de ideias. O álcool, que já me galopa pelas veias, não ajuda.
Os grilos distraem-me.
Acho que tudo o que queria no mundo agora era um abraço. Não qualquer abraço, o abraço. Aquele abraço que me faria deixar de ouvir os comboios ao longe. Aquele abraço terno e apertado, como quem diz "finalmente, juntos". Era o bastante para fechar a janela e deixar de pensar no mundo lá fora, pois só aquele mundo, criado por nós, importaria.
Ou simplesmente para saltar para o teu colo, entrelaçar as mãos nas tuas e ficar assim, num abraço, a aproveitar o cheiro a Verão e a luz da noite, já sem reparar nas janelas fechadas e nos sons distantes, para antes ouvir cada respiração, sentir cada toque subtil, viver cada pedacinho do nosso pequeno mundo.


