sábado, 16 de junho de 2012

Not-so-pretty endings

"Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.", MEC

Eu digo mais. 
Hoje as pessoas terminam namoros porque já não lhes convém. Porque não gostam do mesmo tipo de música. Porque as faculdades são em zonas opostas da cidade. Porque foda-se, aquela colega tem umas mamas de outro mundo e deve mandar umas bem mandadas, deixa-me lá acabar o namoro primeiro para parecer um gajo atinadinho e ela ir no meu jogo. Porque ele não gosta das mensagens dela, porque ela não gosta de fumar umas ganzas ao fim do dia.
Hoje os namoros já não acabam porque o amor não era suficiente, acabam porque não há vontade de lutar. Porque é mais fácil saltar fora e ir encontrar outra pessoa ao virar da esquina, uma que não se queixe tanto e que faça o que ele quer sem grandes discussões. Porque as memórias não valem nada, o caminho não vale nada, o tempo não vale nada. 
Hoje rasgam-se fotografias sem pensar duas vezes, apagam-se comentários do Facebook para facilitar futuros engates e evitar conversas sobre o que já lá vai. 
Subitamente, ele já não era assim tão giro, ela afinal era gorda ou burra ou fútil, o namoro não tinha tido significado e o amor não era assim tão forte - diz, cada um, quando tudo chega ao fim. Subitamente, cruzam-se na rua e quando atravessam o passeio tecem-se comentários que em tempos nunca seriam sequer imaginados, riem-se com os amigos, fingem que não importou.
Porque o novo amor é sempre o mais forte, é sempre o que é perfeito, é sempre o que nunca vai terminar. Mas, depois, termina quando já não lhes convém. Quando afinal ele fingia que gostava daquela banda e não gosta. Quando se muda de emprego e não há tempo para almoçarem juntos. Quando se conhece outra pessoa. Esse, esse é que vai ser o tal. E, às vezes, não é. E volta tudo ao início.


E não, isto não é conversa de miúda aziada que levou com os pés. 
É só nojo de pessoas que nem desconfiam o que significa amar.

4 comentários:

  1. O que tu descreves são brincadeiras de miúdos, não é amor de gente que sabe amar. Gente que sabe amar, não deixa subitamente de o fazer porque descobriu que não tem os mesmos gostos musicais que os da sua suposta amada. E, principalmente, não pensa coisas como "foda-se, aquela colega tem umas mamas de outro mundo e deve mandar uams bem mandadas". Isto é um insulto ao verdadeiro amor! Isso são putos com as hormonas ao salto, logo não têm qualquer legimitidade.

    Já assisti ao amor pragmático de que o MEC (e não MST - estavas a pensar no Miguel Sousa Tavares? lol) fala, e a verdade é que, em todos os casos, a coisa acabou.

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  2. Exactamente, daí o meu comentário final sobre nem desconfiarem o que significa amar. Mas que acontece, acontece. E o pior é que não é só em miúdos, também já assisti a fins de casamentos com razões igualmente absurdas.
    Claro que a questão da música é algo exagerada, mas mostra que as pessoas pegam em pequenos pormenores, em trivialidades, e usam-nos para terminar relações que tinham tudo para resultar bem.

    E sim, de facto enganei-me, troco sempre os nomes deles x) Eu adoro aquele texto dele, acho que cada vez mais o amor é algo tão racionalizado que perde muito. O amor pressupõe loucura, entrega, não argumentos lógicos como o facto de ser um colega de trabalho e estar mesmo ali a jeito.

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  3. O amor não é assim. Aliás, esses namoros não têm sequer um pedacinho de amor.
    Eu sou suspeita para falar deste assunto, estou numa relação à mais de um ano e como é óbvio, esta relação já teve altos e baixos. Mas o que funciona - e falo por mim - é mesmo isto, é puxarmo-nos um ao outro quando é preciso e nunca desistir, nem de nós, nem do outro. É ter alguém sem acorrentar, sem prender. Não há segredo para uma relação perfeita (nem há relações perfeitas!), mas creio que aquele que ama luta até ao fim, nunca desiste e por muitos contras que essa relação tenha (distância, saudade, etc. e tais), os pontos positivos sairão sempre vencedores porque o que interessa de todas as histórias de todos os tempos é o sorriso um do outro, a felicidade.
    Eu sou uma romântica incurável e uma sonhadora mas de uma coisa eu tenho a certeza: se todo o mundo ama-se da mesma forma que eu amo o meu magnífico namorado, não havia guerra no mundo!
    Gostei de ler o que escreves ;) *

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  4. Pois não, o pior é que quem faz este tipo de coisas é capaz de apregoar o que sente como sendo amor. Engana-se a si próprio e faz os tolos apaixonados acreditar.

    Eu também sou assim, sonhadora e romântica incurável, e quando amo faço tudo por tudo. Tristes são os que não sabem o que é amar assim.

    Obrigada, beijinho :)

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