segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Um "A" no início e o mar fica maior.

Bem sei que, normalmente, um mês não é nada.
Mas preciso de o partilhar. Por ser um mês tão especial, desde a nossa primeira saída juntos e por, sobretudo, já parecer um ano. 
Porque em um mês já vivemos muito. Porque vivemos juntos e cada dia me deixa com mais vontade de não voltar para casa, porque uma parte de mim pertence aqui, com ele.
Normalmente, sim, um mês não é nada.
Mas para mim, para nós, um mês foi tudo. E mais virão.

sábado, 27 de outubro de 2012

Agapi mou

"I just realized that I feel very, very happy. I really like that you are here with me. Thank you for being in my life."

E eu derreti-me e enrosquei-me mais nele.
"I'm all yours."

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Men everywhere.

Esta cidade vai dar cabo de mim. Está tudo encaminhado para me tornar na pessoa mais convencida do mundo.
Não sei o que raio faço mas, de cada vez que bato os olhos em algum homem que me interesse, BAM, tenho a atenção deles sem esforço nenhum. Os que conheço na noite percebo, porque o objectivo deles é bastante óbvio, mas os outros tipo o vizinho ou o empregado do café (que, depois de várias vezes a observar-me, decidiu meter conversa sobre de onde venho e terminou com um "I really hope I'll see you here again")...
Seriously, se eu já achava que conseguia tudo o que queria, agora vou começar a pensar que sou a rainha da aldeia.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Se erotevomai.

Desde que me lembro de me interessar por rapazes que sempre disse que não fui feita para estar com um português - sempre foram os estrangeiros que me deixaram o coração a bater mais forte.
O que não costumava pensar, talvez porque nunca tinha passado da fase dos crushes, é que, por melhor que seja o meu inglês, nunca me expressarei de forma igual nas duas línguas - há sentimentos que não se traduzem, palavras que só fazem sentido quando ditas com a espontaneidade de quem fala a língua com que cresceu. Um "I love you" nunca sabe ao mesmo que um "amo-te" dito com todo o ar que nos resta no peito. Um "I miss you" dificilmente chega perto do maravilhoso "tenho saudades tuas" que só nós, portugueses, temos.
Talvez por isso, por não conseguir fazer as minhas palavras fluir da mesma forma, ou por achá-las mais insípidas, prefiro escrever em português. Tal como me expresso assim contigo, agora que estou finalmente numa dessas relações com que sempre sonhei, e te peço para falar grego comigo, nos momentos em que sentimos que precisamos de pôr tudo por palavras.

E são essas pequenas coisas que me fazem tão feliz.

Os sussurros, a meio da noite, algo inconscientes e acompanhadas por um abraço mais apertado, de palavras que não entendo mas nas quais reconheço a ternura. A facilidade com que as dizes, o arrastar na voz típico de quem tem demasiadas emoções em si. Os "s'agapo" que dizes e que te saem como uma enchente, repetidos uma e outra vez, de olhos nos olhos. Ou das vezes em que, brincalhão, dizes coisas brejeiras com o ar mais sério do mundo, mas mesmo assim descubro, por mero instinto, que não são palavras de amor.
Os passeios a meio da noite, pela cidade inteira, em que podemos ser apenas duas crianças com brincadeiras infantis, dois adolescentes apaixonados com todas as juras do mundo e casamentos improvisados. Que tenhamos andado a meio da noite pela marina durante 1.30h apenas para procurar os "lovelocks" iguais aos de Paris, em que os casais fecham juntos um cadeado e atiram a chave ao rio. Que nos sentissemos plenos enquanto espreitávamos para dentro dos barcos e imaginávamos como seria se tivéssemos um e pudessemos, simplesmente, partir os dois. Gargalhadas sinceras. Uma sensação de que somos um do outro e de que nada pode mudar isso.
O facto de reparares nos pormenores. Todos. E de os decorares tão bem como se fossem características tuas e não minhas. De cozinhares para mim, algo que ambos adoramos, e já saberes que eu só sei comer massa com garfo e faca. Ou de como prefiro ter um sítio para cortar a salada e, mesmo que queiras comer directamente da tigela, tragas sempre, e sem eu ter de pedir, um pratinho com talheres para mim. De pôres a mesa sempre na mesma disposição porque eu não gosto de trocar de lugar, tal como na cama. Tanto na minha, como na tua.
Gosto que cuides de mim. Que me ligues imediatamente quando não sabes de mim ou algo se passa. Que venhas dar-me um beijo de boa noite e me tragas um prato de fruta cortada, como se eu fosse a Cleópatra.
Gosto que me abras a porta às 4.30h da manhã, ensonado, quando chego a casa depois de uma festa e tudo o que mais quero é estar contigo. Que sempre, sempre, me queiras também.
Que saibas sempre o que dizer ou fazer para resolver as coisas. Que saibas as palavras certas. Que, apesar de quereres estar comigo, me digas que eu mereço melhor. Que desabafes comigo e acabes sempre com um agradecimento sentido - "thank you for taking care of me even if I don't deserve it". Mas, para mim, mereces tudo.
Gosto de te conhecer os traços. Da cicatriz pequenina que vai ser, sempre, a minha coisa preferida em ti, e que nunca resisto a tocar. Do teu perfume. Ou de ti sem perfume.
Das conversas sem fim. Dos abraços sem fim. De tudo o que trocamos, sempre, sempre, sem fim.
Que me chames namorada. Que as pessoas olhem para nós, talvez um pouco surpreendidas, mas rapidamente deduzam que estamos juntos, porque a cumplicidade se nota a léguas. Que me deixes falar com a tua irmã e o teu primo, os teus dois melhores amigos, livremente. Que fales de mim sempre com um sorriso e, depois de palavras em grego que não consigo decifrar, me contes que lhes disseste que estás muito feliz de me ter contigo. 

És ao mesmo tempo a minha história mais improvável e a mais complicada e, ainda assim, mesmo com tudo o que é reprovável nela, consegues ser o homem mais perfeito com quem já me cruzei.

"S'agapo san ena hontro paidi agapaei to keik." :) 

E nunca terei palavras suficientes para descrever isto.

sábado, 20 de outubro de 2012

Life is a cabaret.

Por vezes descobrimos, acidentalmente, que a vida que vivemos não é a certa. Por mais que nos sintamos bem, que a casa onde vivemos 20 anos seja o nosso verdadeiro lar, que a praia e o mar nos façam mais felizes do que tudo o resto; ainda assim, essa pode não ser a melhor vida para nós.
Eu mudei de país. Com isso, descobri que sou mais feliz sozinha. Que tinha saudades de uma liberdade que nunca tinha conhecido. Que vivia, sem saber, presa no facto de não ter um lugar seguro onde passear. De ter de me justificar perante alguém. De sentir culpa e remorsos por mentir. 
Essa vida não era para mim.
Descobri que, longe da minha casa, também tenho um lar. Um lar só meu, que eu construí, de que apenas eu cuido. Um lar para onde voltar depois de uma tarde na cidade ou de uma noite em que não pensei, apenas vivi.
E a minha casa em Portugal faz-me falta. Mas a minha vida aqui vale mais do que isso.
Não vim para fugir.
Vim para me encontrar.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Dreaming of Love and Freedom

"One day, baby, we'll be old and think 
of all the stories that we could have told." 

Esta é A música do meu Erasmus.
Neste mês já vivi coisas que nunca julguei serem possíveis. Coincidências por que nunca sonhei passar. Novelas que se desenrolaram perante os meus olhos incrédulos.
Sempre achei que o mais importante da vida, o núcleo, o que a faz ser o que de mais bonito temos, ao invés de outra coisa qualquer, é esta capacidade que temos de fazer dela o que entendermos, frente ao agrado ou desagrado de todos em volta. O poder de a aproveitar da forma que nós, e apenas nós, decidirmos.
Eu escolhi vir. Tal como escolhi cada saída, cada beijo, cada dia ou noite. Aqui, todas as escolhas são minhas. E sou feliz. Não por ter uma liberdade que não tinha, mas porque aqui sinto que vivo outra vida - ainda que sempre, sempre fiel a mim mesma.
Não quero chegar a velha e pensar no que ficou por fazer. Por isso vivo. O que quero, como quero. Sobretudo, sem medo de falhar.
Com ele, vivo cada linha da história, mesmo que os parágrafos e as páginas e os capítulos vão avançando, mesmo que todos os livros tenham, desde o "era uma vez", um "fim" que sabemos que vai chegar a qualquer momento... porque esta história ainda mal começou e toda a gente sabe que o melhor está no meio.
Sim, um dia vou ser velha. E, um dia, vou passar o meu tempo a relembrar a glória da juventude, se a minha velhice for bondosa o suficiente para o permitir. Mas não vou chorar nada que não tenha vivido. Não vou pensar nas histórias que podia ter sentido no corpo.
Vou viver cada pedacinho de história que puder. E vou começar agora.
Nunca é tarde de mais para se ser feliz.

domingo, 14 de outubro de 2012

By the river

Porque momentos de criancice são sempre precisos.
E porque, agora, a Antuérpia nunca nos esquecerá.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

In all this chaos, we found safety.

Já está, deixei de pensar.
Deixei de pensar em como não me devo dar por inteiro sem ter certezas. O que é isso de garantias? O que é isso de algo ser 100% correcto ou seguro? A vida não é segura, aprendi isso. O que hoje é "para sempre", amanhã não é nada. Palavras, palavras, palavras.
Deixei de viver naquilo que me foi ensinado. De ter medo, de ser ponderada, de esperar e esperar sem saber muito bem pelo quê.
Desta vez, quis ser diferente. Quis seguir o instinto que sempre me orgulhei de ter bem apurado. E fi-lo. 
A noite passou mas o tempo não. "And in that moment, I swear we were infinite" descreve-o bem. 
Naquele momento fomos tudo. 
Naquela noite, esta noite, fomos um.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Oktoberfest

Ontem foi noite de Oktoberfest no De Prof. 
Basicamente, foi uma festa num pequeno club, onde costumam ser as festas Erasmus, a imitar o festival alemão da cerveja. Algumas pessoas vestidas com as roupas típicas e, sobretudo, muitos copos baratos de meio-litro de cerveja.
No início estava tudo algo calmo. Já muito cheio, sim, mas calmo. Quando fui embora, às 4am (porque tinha de acordar às 9.30h), já depois de 1.5L de cerveja, uma piña-colada e um Flügel (garrafa de 20ml com vodka, 10% de álcool), já estava tudo menos calmo. Eu, que nem sou fã de grandes festas, acabei por ter uma das noites mais divertidas de sempre.
Desde descobrir que sou apaixonada por dançar em cima de mesas, a passar a noite a alternar entre um português sexy e um filipino mais sexy ("I'll be right back!", e ia dançar com o outro...), a conduzir a bicicleta de madrugada estando drunk out of my mind, sem sequer saber o caminho para casa porque nunca tinha estado naquele bar, a chegar a casa, despir-me, e atirar-me para cima da cama sem me conseguir mexer mais (e ainda bem que sou uma bêbeda inteligente, porque antes de sair de casa pus logo no telemóvel o despertador para hoje).
Mas lembro-me da noite inteira e estava perfeitamente consciente, tenho a dizer isso. Coisa que não é assim tão boa, porque não tenho desculpa para as parvoíces que toda a gente me viu fazer (e que estão gravadas em algumas fotografias, porque tenho amigas stalkers que estão sempre com a máquina na mão para verem o que apanham).
Venha mais uma :)


Damn.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Responsabilidade em Erasmus é...

... estar em casa, à hora de jantar, a enfardar sandes e fruta, não porque se tem fome, não porque é preciso comer, mas porque não tarda começa a Oktoberfest e é preciso ter o estômago bem forrado para a cerveja!

domingo, 7 de outubro de 2012

With Or Without You

Tê-lo como vizinho é maravilhoso, mas também tem os seus contras - sei sempre o que ele está a fazer.
Já por várias vezes, desde que me mudei, ouvi gente em casa dele. Ora amigos, ora amiga. E ontem foi uma dessas tardes. Cheguei a casa e lá estava ela. A rir-se, por detrás da porta dele. A rir-se com ele. Uma mulher com quem já esteve e que agora é apenas uma amiga, mas que está apaixonada por ele.
Subi e tentei abstrair-me, tal como nas outras vezes, mas quebrei. Não estou nos meus dias e foi apenas a gota de água. Mandei-lhe uma mensagem, sabendo que a leria logo, a dizer apenas "you were right, hearing her there with you makes me crazy". Mas precisei de sair. Afastar-me. E assim foi, com Coldplay a tocar bem alto, mais alto do que as vozes na minha cabeça. A bloquear os pensamentos. E andei, andei, andei. Andei completamente sem destino, sem me preocupar com as ruas, com as voltas, com o facto de me poder perder. Andei sem pensar nas dores nos pés ou no frio. Apenas andei.
E depois ele ligou-me. Uma, outra, outra vez. Como ele faz sempre que não atendo, por medo de que eu esteja chateada e a não atender propositadamente. Fez-me voltar até casa e decidiu, assim que me viu, que me queria levar a Ghent, a cerca de 60km. E eu aceitei, ainda em silêncio, ainda com dificuldade em olhá-lo nos olhos.
Quis a sorte ou o destino que a viagem fosse feita durante o pôr-do-sol. Por coincidência, também ele adora conduzir a essa hora, sempre com música bem alta, e deixar-se mergulhar naquele momento. E fomos, 45 minutos quase sempre em silêncio, a olhar para o céu, a absorver a música (Don't Speak, With Or Without You, Wonderwall, Holiday...), a sentir no corpo os 180km/h. A olhar em frente mas, ainda assim, a deixar por vezes a mão deslizar para a mão do outro.
E conheci, assim, talvez como forma de compensação pela tristeza, uma cidade lindíssima e romântica. Um passeio pelos canais, ainda mais bonitos com a iluminação, um chá tomado na esplanada, uma conversa sobre o que se tinha passado. Primeiro dolorosa, porque isto não devia estar a acontecer, depois feliz, porque admitiu que neste momento sou eu a "the one". É comigo que partilha os dias, e é assim que quer continuar. E eu também.

Through the storm we reach the shore, you gave it all but I want more. And I'm waiting for you... 
I can't live with or without you.

- but I prefer the with.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ele, ele, ele. Só ele.

Neste fim-de-semana, a minha vida foi um cliché de Hollywood.
Devo ter tido aquilo que foram, muito provavelmente, alguns dos momentos mais estranhos (mas melhores) que já passei.
Naquela noite, o tempo parou. Aquela que foi uma mensagem inocente, acabou por iniciar uma noite de conversa em que não havia mais ninguém. Em que não víamos pessoas à nossa volta. Em que o único som que ouvíamos eram as palavras um do outro, ainda que tivessem de ser quase gritadas ao ouvido, tal o volume da música. Não importou a diferença de idades. Não importaram as nacionalidades. Nada fez diferença.
Naquela noite, o tempo parou. E continuou parado durante o longo abraço à porta, quando voltámos juntos para casa. E durante o beijo de boa noite. E o outro, e o outro. Todos os beijos. Continuou parado quando ele decidiu entrar e nos aninhámos os dois no sofá, como se nos conhecêssemos há meses. Parado conforme a noite passou, lado a lado na cama, entre conversas ou leves momentos de sono em que, acordada, o pude sentir abraçar-me e puxar-me para ele, ainda a dormir. Horas e horas dessa noite que não tinha fim, que continuava surreal por mais tempo que passasse. E, parado, permaneceu o tempo quando amanheceu e, juntos, passeámos pelas ruas, naquela que foi a manhã mais bonita que já tive em Antuérpia, com um sol perfeito e a temperatura ideal, tomámos o pequeno-almoço e caminhámos, sempre bem perto um do outro, até ao Sul, para assim nos sentarmos numa esplanada a ver a cidade acordar.
Antes desta noite, talvez 10 minutos de conversa. Este encontro, das 22.45 até às 13 do dia seguinte. Aquele que, agora, posso usar para descrever o "primeiro encontro perfeito". Aquele que representa tudo aquilo que eu nunca faria - mas que não podia estar mais feliz por estar a viver. Aquele que, tão depressa, me deu uma pessoa que não vou querer largar.


Só consigo pensar neste vídeo, do filme A Bela e o Paparazzo. Foi assim. Exactamente da mesma forma.

(o mais relevante começa aos 1:00)