Fazer Erasmus é ter a possibilidade de viver a melhor vida do mundo, de ter tudo o que sempre quisermos (sem precisarmos de muito), de experienciarmos tudo o que alguma vez desejámos - e, depois de habituados, vermos tudo isso a ser-nos tirado das mãos, para nunca mais voltar.
Tudo o que fica, são apenas memórias. Mas as memórias não nos abraçam. Não têm voz, não têm o cheiro do perfume no corpo, já esbatido, ao final do dia, não têm o som dos comboios que vão e vêm num dos quatro andares da estação, numa das 14 plataformas daquele Hogwarts em que tudo é pedra e escadarias.
As memórias não sabem aos melhores praliné do mundo e, por mais rapidamente que nos atravessem os pensamentos, não pedalam em bicicletas holandesas amarelas. Não trazem a neve de volta aos parapeitos, nem retomam a paz sentida no Scheldt.
As memórias confortam-me, juntam-me aos bocadinhos. E, logo a seguir, desfazem-me também.
Fazer Erasmus é isso.
É ter tudo de bom e, no final, ficar apenas com boas memórias.
E é também não ter nada, e voltar com um coração cheio de tudo o que sempre precisámos.
"Home". Foi-o no sentido mais bonito, naquele em que nos iluminamos quando falamos de casa - e assim o será para sempre.
Porque a nossa casa, essa, nunca se esquece.
"Home". Foi-o no sentido mais bonito, naquele em que nos iluminamos quando falamos de casa - e assim o será para sempre.
Porque a nossa casa, essa, nunca se esquece.
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