domingo, 23 de junho de 2013

O Vinho.

Comecei em meados de Agosto de 2008. Com 16 anos, quis a sorte ou o destino que eu fosse àquela quinta e me aventurasse na Equitação. 
Acho que nunca tinha estado perto de um cavalo, muito menos em cima de um, com os pés a mais de um metro do chão. Na verdade, acho mesmo que nunca tinha gostado assim tanto de cavalos, mas havia algo em mim que, desde pequena, me dizia que eu devia praticar este desporto; nunca liguei muito a isso, podia ser apenas vontade de experimentar algo novo, como tinha de tocar guitarra, piano, violino, ou como gostava de fazer esgrima.
Mas a Equitação tinha qualquer coisa. E, naquele dia em que experimentei, soube-o. 
Nunca tive medo de chegar perto dos cavalos, nunca achei que fossem muito altos e sou sincera quando digo que aquele metro de distância entre os meus pés e o chão sempre me pareceu mais uma bênção do que um motivo de pânico. 
Comecei com pouco jeito, com pouca facilidade em fazer os exercícios elaborados que o volteio, apenas com uma manta e pegas de ferro, exigia. Montar a cavalo é o mais diferente possível daquilo que imaginamos quando o vemos em filmes. Ao fim de uns meses, que o meu instrutor considerava essenciais para ganhar equilíbrio e à vontade, veio o selim. As rédeas e os estribos, que parecem ser facilitadores e trazer estabilidade, afinal não eram nada disso - montar em sela é quase como montar sem nada e, aí, percebi porque tinha treinado tantas vezes a montar, nos três andamentos, com as mãos ao lado do corpo, sem me agarrar às pegas.
A partir daí, foi habituação do corpo e da mente. Aprendi com a Malhada, a Graciosa, a Su. Treinei e treinei e treinei, fins de semana a fio, e melhorei a olhos vistos. Além de aprender a montar, aprendi a tratar de cavalos, a dar o banho, regras de picadeiro; aprendi aquilo que não vem nos livros - a manter a cabeça fria e a lidar com os imprevistos.
A 30 de Dezembro do mesmo ano, não aguentei que aquele Puro Sangue Lusitano ruço, lindo, fosse mandado para o Alentejo para ser vendido lá, ou ter um fim pior. Acima de tudo, não aguentei ver um cavalo com tanto medo de varas e chicotes, claramente por causa das memórias de uma início de vida menos feliz. E, nesse dia, assinei os papéis. O Vinho era meu. E nunca pensei duas vezes no que me disseram sobre o cavalo nunca ir evoluir, porque tinha um problema numa das mãos; sobre nunca ir ser nada de especial - mais tarde, percebi que nada disso era verdade. Percebi também que ele era um espelho de mim - Que, a mal, se recusa a tudo; que, quando pedido com jeito, se entrega de alma e coração e faz os impossíveis para agradar. Quem o vendeu, engoliu as palavras e chorou o preço que cobrou - afinal, ele podia vir a ser bem mais do que pensaram.
Em 2010, na Festa do Cavalo de Porto Salvo, ganhámos o prémio de melhor conjunto Amazona, com os arreios à Portuguesa do Vitorino. Já me elogiavam por ligar tão bem com o cavalo e por montar exemplarmente, para o tempo de treino que tinha. 
Não consigo descrever a sensação de liberdade que um galope traz. Ou a ligação que se cria com um cavalo, que não se pode ter com um cão ou um gato. Sei que tenho muita sorte por poder ter o cavalo comigo, ainda que não em minha casa. 
Quando comecei, dizia que não trocava este desporto por nada. Hoje, tenho a certeza que não. 
Aquele metro debaixo dos meus pés, o corpo de outro ser que se move comigo, ao meu pedido, traz algo que só o dono de um cavalo conhece. Naquele momento, somos só um - como se diz, é um jogo de futebol em que a bola tem vida própria.
E eu quero que ele tenha a melhor vida possível. Porque sei que ele nasceu para mim, e eu nasci para isto.

Dias depois de ele passar a ser meu, das primeiras fotos que lhe tirei :)






 

1 comentário:

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