quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Early to bed and early to rise...

Está a saber-me bem o regresso à rotina.
Talvez por ser o último ano, o clima está levezinho, as pessoas estão a dar-se bem, tudo parece mais descomplicado e, apesar do medo sentido por apenas faltarem uns meses para estarmos licenciadas, sabe bem estar quase a terminar e já ser "um bocadinho" Terapeuta.
Ajuda estar numa faculdade com vista para o mar e com uma varanda num 4ºandar em que podemos estar a apanhar sol em cada intervalo - tem-me dado vontade de lá estar a conversar em vez de passar a manhã a dormir e a vegetar no sofá.
Sinto toda a gente um pouco mudada e é bom, muito bom, voltar àquelas amizades que existem desde o início e que, embora já com a sua dose de trambolhões pelo caminho, ainda vão caminhando numa direcção bonita. Porque fomos amigas como caloiras e não faria sentido não o sermos como finalistas.
E é assim. Tenho muito sono, mas estou feliz.

sábado, 14 de setembro de 2013

I'll give them roots and wings.

Quando penso em ter filhos (e confesso já aqui, bem à partida, que é algo que acontece com muita frequência e maior ainda intensidade), penso na Maria Leonor. Podia imaginar qualquer bebé, dar-lhe todos os nomes atípicos que me passam, muitas vezes, pela cabeça, mas imagino-a a ela, uma pequenina de olhos castanhos amendoados, talvez cinzentos-esverdeados se, porventura, lhe saísse o totoloto genético e sempre, sempre chamada Maria Leonor.
Isto para dizer que a ideia está bem formada na minha cabeça, não é só um desejo longínquo, não é, para mim, algo apenas conceptual. Sei o que há de bom e o que virá de não tão bom assim. Mas não é nos choros ininterruptos que penso, nem nas pilhas intermináveis de fraldas, nem em tudo de que, ter um filho, me "privaria" - algo em que, ainda hoje, não acredito que me possa acontecer, porque não vejo as mudanças - essas sim, inevitáveis -, como privações ou como um downgrade da vida que levo.
Penso muito em mim, quando penso nos filhos que terei. Penso em muitos lugares-comuns - nos tempos em que era seguro brincar na rua, nos "cozinhados" feitos de tudo o que encontrasse, nas brincadeiras na praia, com os meus pais, nos bolos que adorava e que gostaria de, um dia, dar-lhes a provar, até mesmo no primeiro dia de escola e na fotografia da praxe tirada, envergando o bibe ou a mochila, à porta de casa - mas penso, mais ainda, nas vezes em que me senti especial. Nas coisas que, ainda que nem sempre boas, ainda hoje penso com ternura.
Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que o meu pai correu atrás de mim, empurrando o acento da bicicleta e, bem mais nervoso do que eu, que não fazia ideia do que estava prestes a acontecer, o largou - e lembro-me de como foi olhar para trás e sentir que sim!, finalmente estava a andar sozinha. E penso muito na bicicleta que, um dia, empurrarei, alegre, para que também ganhem o gosto a esses passeios, ao mesmo tempo em que aprendem que cair dói muito mas que, depois de algumas quedas, o equilíbrio será melhor do que nunca. Quando penso em ter filhos, penso em joelhos esfolados e penso em replicar os sóis desenhados a Betadine que a Paula, a minha Educadora, me fazia sempre, porque um coração apaziguado por sorrisos cura melhor as feridas.
Quando tiver filhos, quero levá-los a pisar uvas, algo que ainda tenho tão presente em mim e que, talvez por saber que, em tempos, foi proibido às mulheres, me deixa mais orgulhosa por tê-lo feito. No meio das árvores de fruto, do cheiro amadeirado da dorna, sentiriam também essa força em si, qual pequeno primeiro passo feminista ainda antes de saber o seu significado.
Penso nas viagens que fiz, ainda pequena. Em Aveiro, terra da minha avó, e no cheiro da ria, que tanto adorava olhar, com todos os seus barcos coloridos. Em Paris, a primeira viagem que fiz de avião, por volta dos 5 ou 6 anos, e sobre a qual ainda hoje me gabam a forma estoica com que me aguentei enérgica e de olhos abertos desde a madrugada até ao final do dia, apenas para poder aproveitar a Disney de alma bem desperta. 
Lembro-me muito, quando penso em tudo isto, de todas as histórias com que me fui cruzando - o meu pai contava-me, religiosamente, pelo menos uma história por dia sobre as aventuras do Zé Barnabé, improvisadas no momento e que eu, por mais que me esforçasse, nunca teria capacidade para inventar com tanto jeito quanto o dele; a minha mãe, talvez também um pouco no seu papel de professora, lia muito comigo, e aprendi a ler e escrever por volta dos 4 anos - sei hoje, ainda, quando se deram esses cliques, porque vejo à frente dos meus olhos a escadaria do prédio onde estava sentada quando aprendi a juntar as sílabas, ou o quadro magnético em que ia juntando as letras, porque era o melhor que podiam usar para me entreterem de forma a que comesse.
Quando penso em ter filhos, penso em muito do que vivi, mas também em tudo o que me passou ao lado e gostaria de lhes dar. E penso, ainda que muito na Maria Leonor, também nos outros dois ou três que, por vontade minha, se seguirão, porque não concebo uma casa sem irmãos, para que cresçam juntos, tal como eu tive. Porque posso ser completamente louca por imaginar tudo isto sem dar muita importância à reviravolta que as crianças trazem à vida de qualquer um, mas serei, sem quaisquer dúvidas, uma louca muito feliz no meu mundo de pernas para o ar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Desire is full of endless distances.

Cheguei a um ponto em que tenho tanto para dizer, para desabafar, que não consigo que nenhum texto fique como eu gostaria.
As ideias ainda parecem teimar em só chegar em inglês e eu perco-me nas traduções, perco as minhas expressões entre a escrita pelo que fui e o que sou, e não há forma de conseguir terminar algo de forma a que tenha nexo; ou a que, ainda que sem sentido, me agrade.
E custa-me, custa-me muito, mas começo a ver que, enquanto andar meio perdida, também não vou conseguir encontrar a minha escrita. Espero encontrar-me (-nos) em breve.

domingo, 8 de setembro de 2013

Acho imensa piada...

...àquelas fashion bloggers (agora parece que é moda chamar isso a qualquer miúda que tenha um blog de bitaites sobre os trapos que vai vendo e as tendências da estação - essa expressão que tantos espasmos oculares me dá) que dizem que um verniz tem "uma óptima duração" porque "aguentou-se 3 dias sem lascar" ou "ao fim de 5 dias só tinhas as pontas gastas". 
Amigas, eu não sei que vida é a vossa mas eu, ainda que (já) não tenha de lavar louça à mão, sou pessoa que estuda e, portanto, folheia muito livro, escreve muito no computador, prepara algumas refeições, limpa o pó e tem de, efectivamente, pegar em objectos, porque não há (e ainda bem) empregada que o faça por mim.
Gostaria de perceber, portanto, quem no seu perfeito juízo é que anda a pintar unhas a cada 3-5 dias e - pior! -, dá saltinhos de contentamento por ter comprado um produto de tão boa qualidade. É que eu, além de ver essas constantes manicures como uma valente seca, também não me imagino a ter tempo para tal coisa.
Tenho só a acrescentar que quase todos os meus vernizes são dessas marcas que valem muito pouco, porque eu gosto de ter muitas cores e de não andar a esbanjar dinheiro nisso, mas acho que nunca ninguém me ouviu dizer que a qualidade deles era óptima ou a mesma coisa que um Chanel. Porque não é, amigas, não é. 
Ora ide comprar um bom verniz e depois logo falamos de qualidade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A saudade é o amor que fica.

Foi há cerca de sete meses que nos despedimos, num dia que ainda hoje tenho tão presente, que não consigo esquecer qual foi ao certo.
A noite anterior tinha sido muito difícil e pensei, pensei mesmo, que não íamos chegar a despedir-nos. Felizmente, ainda nos vimos, e sinto que chorei tanto quando te dei o último abraço, já à porta do nosso prédio, que fiz com que as minhas lágrimas deixassem na Antuérpia uma parte enorme de mim. Foi um cliché, algo saído de um filme bem como o nosso início, mas achei que o final também o merecia - não olhei nunca para atrás. Andei a passos largos até à Meir, a minha avenida preferida no mundo, tentando não chorar, tentando não deixar que as marcas me ficassem no rosto, mas liguei-te logo de seguida. Agradecemos muito, por tudo, um ao outro, e trocaram-se palavras daquelas a que só nós conhecíamos o gosto.
Passaram-se quase sete meses e eu ainda sinto muito a tua falta, como por vezes aqui vou escrevendo. Mas tenho vindo a sentir-me a sarar. Tenho vindo a sentir que, apesar de não ter desaparecido o que sinto, nem as saudades daquela vida que, por tempos, tive, começo a ficar mais livre, mais aberta a realidades novas.
Começo a deixar de olhar para outras pessoas, novos encontros, com o desdém de quem já tinha consigo a melhor pessoa do mundo; a única que a faria feliz.
E não sei o que o tempo trará, não sei se o dia 9, como o dia 9 de cada mês, me trará de novo um aperto no peito, ou se voltarei, em breve, a achar que, aquilo que tivemos, não poderia ter com mais ninguém.
Mas começo, aos poucos, a sentir-me bem de novo. A sentir-me plena por mim, sem a necessidade desse alguém, aquele alguém, para me alegrar os dias.
E isso, essas mudanças que têm vindo a acontecer, por agora já são muito boas.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

E sobre o tema dos piropos...

O assunto foi levantado, há relativamente pouco tempo, pelo Bloco de Esquerda, e rebentou logo uma polémica enorme no facebook e nos blogs. 
Depois de dezenas de textos que já li a gozar com o assunto, em que as mulheres se juntaram, conversando num tom jocoso, para tentar definir as "penas" para cada piropo com base no seu conteúdo, estou seriamente preocupada por ver que estas acham que são propriedade do mundo; que, pior, não têm qualquer respeito por si mesmas.

E como não me quero alongar sobre isso, porque há quem o faça bem melhor, faço das palavras da Rita Dantas, do blog Boas Intenções, as minhas - porque foi o único texto, sobre tudo isto, com que concordei, e aplaudo-a de pé.

domingo, 1 de setembro de 2013

Aguardando o final de Setembro.

Sem querer agoirar, nem acabar já com estes dias bonitos de Verão - ainda para mais, sendo que só me restam duas semanas de férias -, confesso que já ando a suspirar por roupa de Outono/Inverno, algo de que nem costumo gostar.
Já só me apetecem botas, galochas, luvas e cachecóis (que aprendi a adorar durante um Inverno belga), camisolas de malha coloridas e casacos enormes...
E aqui por casa já tenho usado as mantinhas e bebido imensos chocolates quentes... Eu a querer frio de Inverno - acho que avariei de vez :)