Ia começar a escrever dizendo que ainda estamos numa fase muito cor de rosa deste amor - decidi apagar tudo. Não tenciono, nem acredito, que a cor do amor mude com o tempo. Sei, sim, que nem todos os dias podem ser assim - porque terei dias maus, terás dias maus, teremos dias maus. Isso pertence. Mas o amor está lá. A felicidade inicial tem de (ou deve) estar lá, direi até que ampliada, porque isso de o amor ir esmorecendo só acontece quando não era, de facto, amor - mas mera paixão.
Algo que sempre me pareceu assim como que uma metáfora para a vida e para o amor são os corredores de Alcoitão, sabes? Sempre tive um fraquinho por eles. Escrevi, há algum tempo, e passo a citar,
"Percorri Alcoitão, aprendi a andar por aqueles corredores e, apesar de ter ganho estofo e já não me perder fisicamente lá, sei que me perderei sempre um pouco em emoções - porque quem entra em Alcoitão não sai nunca igual e, perdendo-se muitas vezes, também é certo que acaba sempre por encontrar nele mais do que esperava. Descobri que aqueles corredores, aqueles de que tanto se fala, com um xadrez interminável, custam muito a percorrer mas são os corredores que já mais vitórias sentiram em si."
Hoje, Alcoitão já não é só o meu (enorme) amor à Terapia da Fala, já não é só corredores nem xadrezes nem um sentimento de pertença. Agora, Alcoitão também é o sítio onde te conheci, e onde todos os dias te vejo. O sítio onde ganhei mais um (mas não apenas mais um) amigo. Onde encontrei mais uma (e nunca! apenas mais uma) das minhas pessoas.
E sim, sei que terei, terás, teremos, dias maus - mas, ainda que nesses dias o
cor de rosa de que tanto gosto possa esbater um pouco, sei que não
desaparecerá de vez. Porque, no final do dia, há sempre um abraço (daqueles que não trocava nem por cem diferentes), um carinho, palavras dessas que só tu sabes dizer e que melhoram sempre, sempre tudo, bem como os pedacinhos em que nos deitamos lado a lado e sabemos, sentimos, que não é necessário dizer nada. Porque os sorrisos com que ficamos sempre que falamos são os mais sinceros. E os pulos de alegria que dou, tal criança numa loja de doces, quando sei que estás por perto e vou poder ver-te mais 5 minutos, são espontâneos e verdadeiros, e não importa o que os outros dizem ou pensam - nunca importa.
Porque, quando escrevi o parágrafo que citei, estava longe de imaginar que o "encontrar mais do que esperava" seria algo assim. Tão longe de imaginar que te encontraria a ti - de saber que não te trocaria por mais descoberta nenhuma.
E porque, quando o cor de rosa estiver menos vivo, andaremos, as vezes que forem precisas, por metros e metros de xadrez preto e branco, o nosso xadrez do nosso Alcoitão, sabendo que, no fim, terá valido a pena. Nós valemos a pena.
Okay.