Há dias, semanas, meses, em que deveríamos poder ficar na cama o dia todo, entoando um lalalalala, abafado pela almofada, que nos permitisse não ter de receber más notícias. Que impedisse que o mundo continuasse a girar em voltas contrárias ao que deveria - que o nosso mundo abalasse assim, completo, num estalar de dedos, numa chamada telefónica.
Hoje, Alcoitão, a Terapia da Fala, foram uma família de novo, pelo pior dos motivos. Porque quando alguém tropeça assim na vida, alguém que se esforça tanto, diariamente, para que venhamos a ser Alguém na área por que temos uma paixão comum, há que agarrar as lágrimas que teimam em cair - porque, na morte dos que não nos são nada, somos inevitavelmente egoístas e pensamos naqueles que nós temos e não queremos perder - e tentar suportar um pouco um peso nos ombros de quem está a sofrer mais.
Começámos o dia felizes, a observar novas vidas, e a seguir veio a morte. A seguir vem sempre a morte, e depois mais vida, e depois morte de novo. E esse ciclo, essa ignorância quanto ao saber quando se passará à próxima etapa, são uma valente merda - a maior de todas.
Hoje foi um dia triste. Um dia daqueles em que o estômago se apertou e o coração bateu algo descompassado, a acompanhar as lágrimas. "Mas a vida continua. De forma diferente, mas continua".
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