"O meu problema é que sou sempre aquela que gosta mais", foi uma das coisas que te disse logo de início, quando me senti a começar a apaixonar-me e ainda ponderava lutar contra isso. Achaste-me tonta e garantiste que não seria assim.
Mas era um facto e, de novo, assim o foi. Já ouvi todos os clichés que alguém pode ouvir no final de uma relação. Já ganhei tanta bagagem - na verdade, desta vez nem tive tempo de tirar da caixa toda a que já tinha, para a acomodar na nova casa - que, sinceramente, já nem sei se a conseguirei voltar a arrumar, organizadamente, sozinha. Acumulei tanta coisa, tantos fardos, atirei-me - parva - tanta vez de cabeça, que não sei até que ponto não foi esta a última vez (e não é sempre? pois).
Sou sempre aquela que gosta mais. Sou crente nisto do amor, mantenho-me assim sem saber como nem porquê, aposto sempre que desta é que é, ele nunca me magoaria. Mas ele pode acordar um dia e decidir que afinal não, a vida dele não é isto. E eu poderia acordar um dia e decidir que não, a minha vida não é isto, mas não, eu nunca penso isso, porque eu amo e amo e amo e acho que, sim, desta é que é, porra, desta é que é.
E vêm os sentimentos de culpa, os "e se" (a merda dos "e se"), a sensação de que o "não és tu, sou eu", afinal queria dizer "és tu, és mesmo só tu, a culpa disto é tua porque és a e b e c e falta-te x e y e z".
Mas não é assim. Eu não sou assim. Logicamente, eu sei que não sou e que há alguém, a única pessoa que interessa, que pode ver falhas em mim mas nunca nenhuma o fará amar-me menos. Faz sentido que assim seja. Mas se é fácil acreditar nisso? Não, cada vez é mais difícil. E eu luto contra isso, mas cada vez - e já lá vão algumas vezes - é mais difícil. Hoje tornei a bater no fundo. Ainda bem que já conheço os cantos à casa.
Só tenho medo que um dia, quando aparecer alguém em que valha a pena investir, o amor que tenho para oferecer já se tenha esgotado pelo caminho.
E hoje era o meu Sinterklaas. Foi um belo presente. O ano passado recebi luvas e biscoitos, mas também serve.
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