Nem sempre os que são parvos por natureza dizem apenas coisas pouco acertadas, pelo que há uns dias ouvi da boca de um destes ditos, uma coisa que acertou no ponto.
Dizia ele que é difícil namorar com alguém que não esteja na mesma faculdade. Parece estúpido, porque muitos casais querem mesmo evitar tamanha proximidade, mas a verdade é que dificilmente alguém percebe o que vai dentro deste mundo.
Nós, enfiadas na conchinha, stressadas até mais não, completamente enterradas em aulas, trabalhos, e frequências, pouco tempo temos até para nós próprias. Eles, que estão lá fora, que mais não sabem do que aquilo que lhes relatamos, lá vão aguentando, sempre com as suas palavras de conforto, mas sem perceberem ao certo porque é que não podemos combinar um cinema, um gelado, ou simplesmente ter umas horinhas para namorar.
E é difícil.
É difícil sentirmo-nos tão culpadas mas sabermos que temos de apostar no futuro profissional, fintarmos todos os compromissos de modo a podermos manter tanto o curso como o namoro estáveis e sem grandes mazelas. Nem sempre dá, e aí o ciclo recomeça, e temos de ora começar a faltar a aulas menos importantes para cuidar do namoro, ora acalmar um pouco os ânimos de apaixonados para que as notas não se ressintam.
E, assim, vamos ao sítio aos poucos, sempre com cuidado para não nos desequilibrarmos na corda, que a rede já está gasta e tem zonas esburacadas em que não podemos arriscar cair.
Fica o desejo, e a promessa, de continuar a esforçar-me para vir a ser uma boa Terapeuta da Fala, sempre contigo do meu lado.