terça-feira, 17 de abril de 2012

Estágio!

Pois que já se acabou o estágio. E pois que foi de chorar por mais.
Realmente, cada vez mais vejo que a Terapia da Fala é um mundo lindo. Sendo crianças ou adultos, sendo surdos, gagos, afásicos, autistas... Há tanta coisa para explorar e é tudo tão gratificante.
Estive na L'Nostrum, a maior unidade de cuidados continuados do país (com uma diferença de mais do dobro de camas da que está em segundo lugar). As instalações são espectaculares, a terapeuta era um supra-sumo daquilo (e para eu a comparar ao professor que temos é preciso muito), as pessoas absolutamente maravilhosas e com uma gratidão enorme pelo que fazemos por elas como TFs. 
Tinha muito medo de não gostar, de não ter estofo, de me sentir inferiorizada pelos olhares dos idosos... Nada disso. Fui recebida de braços abertos.
Quero ver como vou acabar o curso e decidir-me por uma área para me especializar... Quero quero.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Love and Insanity

"Sim, sou perigosa. E se não fosses tu a partir-me o coração, eu podia partir o teu em três tempos, com a minha brutalidade, com a minha depressão, com aquele orgulho filho da mãe ou intolerância de última ponta. Sou doente mental, eu sei,  gosto que me trates como uma diva mesmo que me apeteça tratar-te como merda e não gosto de ser tratada como merda quando te trato como um deus. Mas mesmo assim sujeito-me. Sou meio-malcriada mas sou bonita. E sei lá explicar o que é elasticidade em economia  mas, em contrapartida, percebo imenso de gatos. Tenho um excelente sentido de humor, desde que me apanhes de bom humor. E sou preguiçosa mas subia aqueles quatro sinuosos andares para te cair directa nos braços. (...) Não sou a mulher mais fácil do mundo mas sou a única que te levou a sair de casa na noite de Natal para ir em meu auxílio (...) Não te esqueças como sou tão única, que meti-te a paranóia que a tua casa tinha espíritos devido aos sons estranhos que ouvíamos durante a noite e que te obrigavam a levantar à procura da janela ou porta mal fechada para que eu finalmente me calasse com os seres do além. E de como quase pegava fogo à cozinha sempre que abria o bico grande do fogão. Sim, também eu tinha medo disto tudo, de ser perigosa e doente mental, de subir aqueles quatro andares até ao fim da minha vida, dos jogos de futebol que ficariam por ver, das almas penadas que viviam no sotão com as quais teria inevitavelmente de lidar, (...) de eventualmente um dia explodir com a casa toda a brincar com o gás. É claro que também tinha medo disso tudo."



Não tenho o hábito de postar textos de outras pessoas, mas este está algo de genial.
Para mim, o amor passa por essa loucura. Eu tenho essa loucura.

domingo, 1 de abril de 2012

Os finais e os recomeços

É tão estranha aquela ideia que se tem, no fim de uma relação intensa, que nunca se voltará a amar.
Já a tive várias vezes, confesso. Umas porque ainda era nova e dramática, outras porque sentia que antes dos 20 já tinha vivido um amor como muita gente mais velha não pode dizer que já viveu.
Perdoei tanto e dei tanto que, durante as fases mais críticas da relação, dava por mim a questionar-me sobre como voltaria a beijar alguém, a fazer amor com alguém, a desejar alguém daquela forma. Não percebia como é que algum dia poderia voltar a ser possível querer tanto ver alguém feliz, fazê-lo rir, sentir-me bem com o que seria construído a pouco e pouco.
A verdade é que, desta vez, talvez por sentir que já tinha feito tudo o que havia a fazer, e que já esgotara o stock de perdões e lutas em nome do amor, consegui partir sem olhar para trás.
Escrevi algumas linhas, nessa altura, mas nunca consegui fazer delas um texto composto e bonitinho. Mantiveram-se curtas e foram ficando assim, esquecidas num documento. Hoje quero deixá-las aqui, porque já não pretendo acabá-las.

Enquanto fui tua, fui tua a 100%.
Dei-te tudo de mim - verdades que só tu sabias, um apoio quase cego, um amor maior que o que tinha por mim mesma.
Fui amiga e confidente e criança e mulher e amante e um pouco como mãe quando era preciso. Fui louca e fui responsável. Dei-te todos os tipos de amor que conhecia, procurei bem no fundo de mim para que nunca te escapasse nada, nenhum pormenor de mim.
Quando amo, amo com tudo.
Mas o nosso tempo já passou. E é altura de eu voltar a ser feliz.
E que venham as loucuras, as paixões, os mergulhos de cabeça.

A verdade é que as paixões e os mergulhos de cabeça voltaram. Bem mais depressa do que julgava, até (e ainda esperneei um bocadinho para a afastar mas..). As loucuras... Para lá caminho. Um passo de cada vez.
Já não acho que não posso ser feliz depois de um final - muito pelo contrário.
E é possível querer o bem de alguém. É possível voltar a confiar. É possível beijar e desejar alguém e isso saber pela vida. É possível sentir-me segura.
Se sou exactamente o que era dantes? Não. Se consigo dar-me completamente sem uma pequena paranóia de que me vão usar e magoar? Ainda não.
Mas sei que vou ser feliz. E, sobretudo, sei que sou forte. E que nunca mais vou permitir que alguém me diga o contrário. Nunca mais.