É tão estranha aquela ideia que se tem, no fim de uma relação intensa, que nunca se voltará a amar.
Já a tive várias vezes, confesso. Umas porque ainda era nova e dramática, outras porque sentia que antes dos 20 já tinha vivido um amor como muita gente mais velha não pode dizer que já viveu.
Perdoei tanto e dei tanto que, durante as fases mais críticas da relação, dava por mim a questionar-me sobre como voltaria a beijar alguém, a fazer amor com alguém, a desejar alguém daquela forma. Não percebia como é que algum dia poderia voltar a ser possível querer tanto ver alguém feliz, fazê-lo rir, sentir-me bem com o que seria construído a pouco e pouco.
A verdade é que, desta vez, talvez por sentir que já tinha feito tudo o que havia a fazer, e que já esgotara o stock de perdões e lutas em nome do amor, consegui partir sem olhar para trás.
Escrevi algumas linhas, nessa altura, mas nunca consegui fazer delas um texto composto e bonitinho. Mantiveram-se curtas e foram ficando assim, esquecidas num documento. Hoje quero deixá-las aqui, porque já não pretendo acabá-las.
Enquanto fui tua, fui tua a 100%.
Dei-te tudo de mim - verdades que só tu sabias, um apoio quase cego, um amor maior que o que tinha por mim mesma.
Fui amiga e confidente e criança e mulher e amante e um pouco como mãe quando era preciso. Fui louca e fui responsável. Dei-te todos os tipos de amor que conhecia, procurei bem no fundo de mim para que nunca te escapasse nada, nenhum pormenor de mim.
Quando amo, amo com tudo.
Mas o nosso tempo já passou. E é altura de eu voltar a ser feliz.
E que venham as loucuras, as paixões, os mergulhos de cabeça.
A verdade é que as paixões e os mergulhos de cabeça voltaram. Bem mais depressa do que julgava, até (e ainda esperneei um bocadinho para a afastar mas..). As loucuras... Para lá caminho. Um passo de cada vez.
Já não acho que não posso ser feliz depois de um final - muito pelo contrário.
E é possível querer o bem de alguém. É possível voltar a confiar. É possível beijar e desejar alguém e isso saber pela vida. É possível sentir-me segura.
Se sou exactamente o que era dantes? Não. Se consigo dar-me completamente sem uma pequena paranóia de que me vão usar e magoar? Ainda não.
Mas sei que vou ser feliz. E, sobretudo, sei que sou forte. E que nunca mais vou permitir que alguém me diga o contrário. Nunca mais.