Se há coisa que me faz confusão, são os estados depressivos em que as pessoas insistem em ficar. Don't get me wrong, eu sei bem o que é estar no fundo. Conheço todos os cantinhos da depressão, da falta de auto-estima, da vontade de atribuir as culpas de tudo ao mundo e deixarmo-nos ficar quietas à espera de dias melhores.
O que também sei, exactamente por já ter passado por isso, é que, para quem está assim, os dias melhores nunca chegam. Há sempre um problema. Quando não é um problema do momento, é um problema futuro. Nunca a vida corre bem.
Mas, as depressões, eu consigo compreender. O que eu não compreendo é a falta de vontade de sair delas.
Quantas e quantas pessoas vivem infelizes com a vida que levam, muitas vezes sem nada de realmente bonito e importante a apontar, e assim ficam, atirando um "eu sou assim..." ou um "as coisas não são assim tão simples..."?
Realmente não são, não são simples. É preciso batalhar muito, e muitas vezes vão remar e remar e remar e o barco vai virar-se para trás na mesma. E vão conseguir ter muitos dias bons mas vai chegar um em que voltam ao mesmo, se calhar sem qualquer motivo válido, e parece que estão de novo no ponto de partida.
Mas é aqui que se vê o valor de cada um. É aqui que se vê a força, a determinação, a vontade de viver, de aproveitar.
É nesse dia mau que a diferença chega. Porque podem voltar, de facto, à estaca zero, ou podem levantar a cabeça e decidir que não, não vou voltar a ser assim. E, quando decidirem isso, por mais tentação que haja de deprimir quando a sorte não bate à porta, nesses dias vão apenas ver que é um dia mau mas que, como tudo, acabará por passar. Nesse dia, serão pessoas novas.
Lutem.
Respeitem-se, façam algo por vocês mesmos.
Todos já tivemos fases de menor auto-confiança. Umas mais curtas, outras mais longas. Mas já todos soubemos o que é olhar para nós mesmos e não gostar do que vemos. E falo do todo, e não só do aspecto.
Mas é imperativo demonstrar confiança, e isto vale para todas as áreas da nossa vida. Para já, porque a fraca auto-estima nos tira metade do interesse e faz com que não consigamos dar tudo de nós, porque os medos e as inseguranças se sobrepõem a tudo. E, profissionalmente, também temos de mostrar que sabemos o que estamos a fazer, que devem confiar em nós, que somos as melhores Terapeutas e que os tratamentos vão resultar.
Acreditem.
Sobretudo, apreciem-se. Não há nada mais bonito do que alguém que goste realmente de si. E que adore viver.