Não gosto de estar solteira. Eu sei disso; vocês, se acompanham o blog há algum tempo, também saberão.
Não gosto, é isso, é muito simples. Não padeço de carência crónica, não preciso de namorar, não sou dependente de ninguém, mas a verdade é que os benefícios de se ser solteira - que os há-, na minha opinião, não conseguem superar os de estar numa relação.
Sou a primeira a defender que é essencial saber-se estar sozinho. Acredito que, sem nos conhecermos, sem passarmos tempo fora de uma relação, namoro nenhum poderá funcionar como deve ser. Dou graças a deus, ou ao meu discernimento, por nunca me ter dado para começar namoros ao deus dará, só porque precisava de ter alguém - das vezes em que namorei, foi algo que fez realmente sentido e, acabando pior ou melhor (porque faço parte do grupo limitado de pessoas que acabou uma relação em que nenhum dos dois queria esse final), sempre valeu a pena.
Atiro também os bracinhos ao céu por ter ido para Erasmus solteira e sem saudades para matar à distância, num sufoco que vi algumas amigas sentir.
Depois desse tempo de reflexão ou de celebração prolongada, conforme cada um bem entender, é que começa o problema. Como dizia, para mim, nenhuma vida de solteiro é melhor do que ter aquele carinho e apoio, as parvoíces de um casal, as mensagens de bom dia e boa noite ou, quando possível, a partilha de casa com o outro - porque acho que, com a pessoa certa, partilhar casa não tem de ser o martírio que alguns narram.
Mas então qual é o problema? Ora, o problema é que parece que já não existem homens solteiros. Não existem, finito, caput. Neste momento, em que estou no início dos 20's, tanto os que estão nos vintes como nos trintas estão comprometidos ou em vias de. Os que não estão, geralmente são aqueles com quem basta uma conversa de aproximadamente trinta segundos para se perceber o motivo.
Como cereja no topo do bolo, yours truly tem mais um problema que acaba por ser o mais enervante - um tic-tac altíssimo, que se ouve a quilómetros, e que insiste que tem de haver um bebé rapidamente a deixá-la gorda e inchada, preferencialmente dentro dos próximos, vá, 4 anos. E que, depois desse bebé, têm de vir mais uns quantos para o relógio poder, finalmente, sossegar. Se já não havia um homem disponível, não preciso de dizer o que eles acham desta ideia. Pior, não me posso dar ao luxo de ser só feliz e contente com um rapaz decente que por aí apareça porque não seria boa ideia começar agora um namoro sabendo que daqui a nada convinha estar um bebé a caminho - e eu até posso dizer alegremente que tanto nasci para ser Terapeuta da Fala como para ser Mãe, mas isso não contempla ser mãe solteira e/ou de um pai pouco digno desse nome.
E é isto. Não faltará muito para abrir concurso e começar a analisar as candidaturas - se houver para aí homens decentes que, por algum motivo, ainda não tenham sido caçados.