domingo, 18 de agosto de 2013

Times flies and you're the pilot.

Sou uma pessoa de pessoas.
Pode parecer (muitas vezes) que não, posso gostar mais do meu tempo sozinha do que de estar rodeada de gente, posso quase ter espasmos com certas atrocidades que as pessoas, por vezes, fazem, mas acabo por gostar muito de partilhar a minha vida com alguém e de tentar - e até mesmo de não conseguir - compreender o que vai na cabeça dos outros.
Foi essa característica minha que, em parte, me levou a escolher o curso que escolhi - poder ter um impacto positivo na vida de pessoas que precisam de mim, conhecer tanta gente diferente, tantas histórias.
E é essa característica que, todas as férias, me leva a conhecer alguém. Não falo de amores de Verão, mas de pessoas que acabam por marcar aquela semana, de uma forma ou de outra, pessoas que aparecem de repente e que por aqui, em mim, ficam.
Gosto daquela partilha, daqueles sentimentos comuns. Quer haja realmente uma aproximação, o que até hoje tem resultado em amizades de vários anos, ou apenas uns dias no mesmo local, sem que haja sequer troca de nomes, ou de ideias, acabo por associar os meus Verões a algumas pessoas.
E é por isso que, quando penso nos países que visitei, penso no Verão da Nicole e da irmã, as primeiras dessas pessoas que conheci; no do Craig; no do Jamie e do James; no do Tomás e dos irmãos pequeninos; no da Márcia; no do Shane e do Adam.
Pessoas de quem nunca me desprendi porque, naqueles dias, foram as únicas pessoas que tive, ainda que estivesse tão absorta em mim mesma.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Back from "ya man"-land.

Infelizmente para o que me resta da sanidade mental, voltei ontem para Lisboa.
Ainda não estou com capacidade para escrever o que quer que seja do que me foi surgindo na cabeça, porque estou com um jet lag do pior (a diferença horária é de 6 horas) que só me permite dormir imenso e comer a horas pouco próprias. Desde que saí do hotel até aterrar em Portugal passaram-se mais de 14h, pelo que também não me sinto capaz de fazer nada que implique mover-me. Isto de ir de férias é coisa cansativa.
Tenho só a dizer que foi muito bom, que me enfrasquei uns bons bocados (mas pós-Erasmus até entrei num certo descanso de álcool), que enfardei brutamente, e que li finalmente A Culpa é Das Estrelas, O Cromossoma do Amor e 3/4 do Quero a Minha Mãe, não tendo lido mais apenas porque passei os dias inteiros na piscina (dois livros e meio já foram uma conquista, que eu andava em maré de não ler praticamente nada).
Agora é descansar um pouco, ir ver o The Lone Ranger que já me anda na cabeça desde que soube que ia estrear (e logo havia de não estar cá quando saiu), e logo cá voltarei para uns posts :)





 
(dizia uma senhora, dessa espécie linda para estudos sociais que é a dos novos-ricos, que era preciso tirar fotos ao pé desta placa porque não podia ir para um lúxúrí sem que se soubesse - decidi confiar nela)

(não consigo ter a máquina fotográfica comigo sem tirar fotos aos pés, é inevitável)

(já tendo máscaras e quadros, que trazer para casa... álcool é a resposta.)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Remembering You.

Ambos mediterrânicos, compreendíamo-nos por, tão diferentes, termos muito em comum - como os sentidos. O amor pelos sentidos.
Ainda consigo sentir o cheiro dos livros antigos. Passar horas em livrarias era um dos teus passatempos preferidos - adoravas os mais velhos, aqueles com história, com vida entre as páginas. Fazias-me esperar e esperar, enquanto escrutinavas cada prateleira, e eu esperava por ti mesmo sabendo que acabavas sempre por não comprar nenhum. De vez em quando viravas-te, contente, para mim com um livro na mão, e era sempre algum que falasse em Portugal ou em Lisboa. Gostavas de me mostrar como o meu país te dizia algo. 
Ou o teu perfume. Não me canso de falar no teu perfume. Lembro-me dele como se ainda o sentisse na tua pele. Punha-lo para mim, como eu usava o teu preferido, e confortávamo-nos naqueles aromas familiares, só nossos.
Ainda sinto o sabor do chá verde que me ensinaste a gostar, que bebíamos todos os domingos de manhã, sentados na mesma esplanada que tinha um aquecedor que nos sabia por tudo e que estava virada para o centro da cidade. Podia passar a semana a chover, mesmo a nevar, mas sunday estava sempre sol quando estávamos juntos - relembrava-te, sempre. E rias-te sempre, concordando, porque o amor, esse, não discrimina piadas tontas.
E a comida - ah, a comida. Cozinhavas para mim como se já fosse família, como os nossos povos bem sabem. Compravas sempre, no mercado, tudo o que sabias que faria um prato que eu adoraria, e acertaste de todas as vezes. Se aprendeste com a tua mãe, imagino como ela será. Lembravas-te sempre dos pormenores, aqueles que me derretiam, e conhecias o vinho branco perfeito para acompanhar qualquer refeição.
Ainda me lembro de tudo o que me levaste a ver. As cidades que me mostraste, porque achavas que eu precisava de as conhecer. Precisava de ver pelos meus olhos. Levaste-me aos teus sítios preferidos. Fizeste-me ver montanhas e vales e castelos, e passaram-se dias repletos de sol ou de neve. Contigo, vi de tudo. E jurava - na verdade, ainda juro -, que haveríamos de ir juntos a Paris, porque precisávamos de ir fazer a nossa jura de amor atirando uma chave ao rio.
Ainda consigo sentir, sentindo falta, a forma como me davas sempre a mão ou me agarravas perto de ti. No nosso primeiro encontro foi assim, depois de eu troçar contigo por me tocares sempre no braço enquanto falávamos, que realmente nos aproximámos. E, mais tarde, passar-te os dedos pelo cabelo ou pela barba ou pelas camisas bem engomadas era algo que fazia naturalmente, porque queria estar perto de ti. Beijava-te os olhos, como nunca te tinham feito, e tentava que, nos meus dedos, ficasse tudo aquilo que não queria, um dia, vir a esquecer.
Recordo também o toque dos lençóis, o peso deles sobre mim - tive de trazê-los comigo porque não concebia a ideia de perder essa memória. Ou do calor da chávena de cappuccino de chocolate nas minhas mãos, quando ta levava, sempre, enquanto trabalhavas, porque podia passar mais uns minutos perto de ti, abraçando-te o pescoço.
Ainda me lembro, e julgo - e espero - que nunca irei esquecer, da música grega que ouvíamos todos os dias e das palavras que aprendi a reconhecer. Da expressão que eu adorava e que, sussurrando, te implorava que dissesses. Ou da forma como falavas inglês, contando-me histórias sobre os países em que nasceste e viveste - ainda não te sei dizer se eras fascinante pelo que contavas ou se, se não ligasse às histórias, me bastaria a tua voz para me apaixonar por cada palavra.
Ainda me lembro dos ruídos da cidade quando, em frente àquela igreja, e por baixo das varandas e dos olhares alheios, nos "casámos". Completas crianças. E de como tentaste, vezes e vezes sem conta, aprender português, como a palavra "amo-te" - ainda que eu, de todas as vezes, implorasse que não o fizesses, porque não aguentava ouvir essa palavra sem que fosse sentida.

Hoje, ainda sinto tudo na pele. E sei que se, hoje, te visse de novo, ainda haveria tardes passadas em livrarias antigas e manhãs de domingo a beber chá verde, viagens de carro na Europa e passeios de mãos dadas, noites partilhadas entre os lençóis de um ou do outro e sempre, sempre música grega e muitas palavras trocadas.
Sei, também, que se hoje te voltasse a ver, continuaria a sentir um aperto no coração por cada "amo-te" que dissesses; e que, se nos víssemos, se hoje nos víssemos, finalmente, de novo, voltaria a dizer-te que sim - desta vez, não numa noite tonta em frente a uma igreja e a vizinhos barulhentos, mas o sim verdadeiro que, durante meses, sempre te disse que desejava dizer.