sábado, 24 de agosto de 2013

Hoje parei e pensei outra vez.

Dia após dia, mais me apercebo de que não importa que se tentem aproximar de mim, não importa conhecer pessoas novas ou reaproximar-me das antigas, porque all in all ainda não consigo estar aqui, presente, disponível.
E posso querer ter alguém, posso tentar muito deixar tudo para trás e entregar-me ao que me vai aparecendo mesmo em frente aos olhos, mas é tão difícil fazê-lo. É tão difícil não pensar sempre que, um dia, ainda vai tudo voltar ao que foi e que os quilómetros pelo meio se vão esbater.
É assustador o quão presente em mim, ao fim de mais de meio ano, ainda estás
Costumo ser melhor do que isto a seguir em frente, quando sei que é a melhor opção para mim.

"In Bruges", just like the movie...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

75%, now :)

Assinei hoje a renovação de matrícula e, assim, a minha inscrição no 4ºano - foi desta forma que me apercebi que cheguei mesmo, por mais que custe a acreditar, à última etapa.
Nestes três anos fui praxada e praxei. Enverguei pela primeira vez o traje académico que há tanto queria poder vestir. Aprendi a diferença entre Comunicação, Linguagem, Língua e Fala e, com isso, descobri que o amor à Terapia da Fala também passa por escrever, quase obrigatoriamente, algumas palavras com maiúsculas. Aprendi listas intermináveis de nomes de estruturas anatómicas, de patologias, de sinais e sintomas. Fiz muitos trabalhos e estudei para muitas frequências, copiei um número sem fim de powerpoints e valeu sempre a pena porque cheguei, quase sempre, a resultados que me orgulharam imenso. Mergulhei de cabeça em anamneses, estudos de caso, planos de intervenção. Aprendi sobre gaguez, surdez, afasias, disartrias, perturbações do desenvolvimento da Linguagem, perturbações de Voz, e aprendi tantas mais coisas que não teria como colocá-las todas aqui. Depois de muito choro e desespero, aprendi a analisar espectrogramas e, noutra área, aprendi também a descodificar os confusos audiogramas. Percorri Alcoitão, aprendi a andar por aqueles corredores e, apesar de ter ganho estofo e já não me perder fisicamente lá, sei que me perderei sempre um pouco em emoções - porque quem entra em Alcoitão não sai nunca igual e, perdendo-se muitas vezes, também é certo que acaba sempre por encontrar nele mais do que esperava. Descobri que aqueles corredores, aqueles de que tanto se fala, com um xadrez interminável, custam muito a percorrer mas são os corredores que já mais vitórias sentiram em si. Aprendi, sim, que dar um passo em Alcoitão é ganhar a vida antiga de volta - e só por isso, por fazer parte dessa família em que todos se conhecem, ajudam e amam por igual, sem rodeios e sem olhar a diferenças, já valeu a pena todo o esforço. Nestes três anos, e dentro daquelas paredes, descobri pessoas e momentos. Descobri-me muito. Fora delas, mas continuando o meu percurso, fiz Erasmus - fiz Erasmus e este foi o maior e mais bonito capítulo do meu percurso até aqui, aquele capítulo que, saltado, retiraria grande parte do sentido que a minha vida, nos últimos tempos, ganhou. Estagiei mais vezes do que a maioria das pessoas que conheço - vi crianças, jovens, adultos; posso dizer que já vi um pouco de quase tudo. Fui um bocadinho Terapeuta e um bocadinho Educadora e um bocadinho Psicóloga e um bocadinho familiar e amiga. Tentei ser tudo o que, naquele momento, aqueles pessoas precisaram que eu fosse. E isso tornou-me uma pessoa muito melhor do que alguma vez fui.

Falta pouco, cada vez menos, para que seja o 4º, e último, lugar da escadinha de madeira a ser ocupado pela fita vermelha. Mas hoje, hoje bem como em todos os dias destes três anos que se passaram, sinto em mim que aquela fita nunca poderia ser de qualquer outra cor.
Daqui a menos de um ano eu vou ser Terapeuta da Fala :)

domingo, 18 de agosto de 2013

Times flies and you're the pilot.

Sou uma pessoa de pessoas.
Pode parecer (muitas vezes) que não, posso gostar mais do meu tempo sozinha do que de estar rodeada de gente, posso quase ter espasmos com certas atrocidades que as pessoas, por vezes, fazem, mas acabo por gostar muito de partilhar a minha vida com alguém e de tentar - e até mesmo de não conseguir - compreender o que vai na cabeça dos outros.
Foi essa característica minha que, em parte, me levou a escolher o curso que escolhi - poder ter um impacto positivo na vida de pessoas que precisam de mim, conhecer tanta gente diferente, tantas histórias.
E é essa característica que, todas as férias, me leva a conhecer alguém. Não falo de amores de Verão, mas de pessoas que acabam por marcar aquela semana, de uma forma ou de outra, pessoas que aparecem de repente e que por aqui, em mim, ficam.
Gosto daquela partilha, daqueles sentimentos comuns. Quer haja realmente uma aproximação, o que até hoje tem resultado em amizades de vários anos, ou apenas uns dias no mesmo local, sem que haja sequer troca de nomes, ou de ideias, acabo por associar os meus Verões a algumas pessoas.
E é por isso que, quando penso nos países que visitei, penso no Verão da Nicole e da irmã, as primeiras dessas pessoas que conheci; no do Craig; no do Jamie e do James; no do Tomás e dos irmãos pequeninos; no da Márcia; no do Shane e do Adam.
Pessoas de quem nunca me desprendi porque, naqueles dias, foram as únicas pessoas que tive, ainda que estivesse tão absorta em mim mesma.