Foi há cerca de sete meses que nos despedimos, num dia que ainda hoje tenho tão presente, que não consigo esquecer qual foi ao certo.
A noite anterior tinha sido muito difícil e pensei, pensei mesmo, que não íamos chegar a despedir-nos. Felizmente, ainda nos vimos, e sinto que chorei tanto quando te dei o último abraço, já à porta do nosso prédio, que fiz com que as minhas lágrimas deixassem na Antuérpia uma parte enorme de mim. Foi um cliché, algo saído de um filme bem como o nosso início, mas achei que o final também o merecia - não olhei nunca para atrás. Andei a passos largos até à Meir, a minha avenida preferida no mundo, tentando não chorar, tentando não deixar que as marcas me ficassem no rosto, mas liguei-te logo de seguida. Agradecemos muito, por tudo, um ao outro, e trocaram-se palavras daquelas a que só nós conhecíamos o gosto.
Passaram-se quase sete meses e eu ainda sinto muito a tua falta, como por vezes aqui vou escrevendo. Mas tenho vindo a sentir-me a sarar. Tenho vindo a sentir que, apesar de não ter desaparecido o que sinto, nem as saudades daquela vida que, por tempos, tive, começo a ficar mais livre, mais aberta a realidades novas.
Começo a deixar de olhar para outras pessoas, novos encontros, com o desdém de quem já tinha consigo a melhor pessoa do mundo; a única que a faria feliz.
E não sei o que o tempo trará, não sei se o dia 9, como o dia 9 de cada mês, me trará de novo um aperto no peito, ou se voltarei, em breve, a achar que, aquilo que tivemos, não poderia ter com mais ninguém.
Mas começo, aos poucos, a sentir-me bem de novo. A sentir-me plena por mim, sem a necessidade desse alguém, aquele alguém, para me alegrar os dias.
E isso, essas mudanças que têm vindo a acontecer, por agora já são muito boas.
