terça-feira, 5 de outubro de 2010

I'd pull a sunshine story in a pouring rain.

É algo estranha a forma como nos agarramos às memórias.
Há uma dependência quase física além da psicológica - os sentidos não nos deixam esquecer nada.
Quem nunca se arrepiou ao sentir um perfume conhecido no ar? Ao ver uma mala tal e qual a que ela usava, um relógio igualzinho ao que lhe oferecemos, uma cor que era exactamente a dos olhos dele nos dias de chuva?
Os sentidos não nos falham, nestas alturas.
Há sempre uma música, um lugar, um cheiro, uma batida do coração, que nos são familiares.
Ficamos a saber que há algo real, concreto, que nos pode fazer viajar para outros tempos e sítios.
E o momento em que nos apercebemos disso acaba por ser algo agridoce.

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