segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O destino destina, o resto é comigo.

Quando era pequena, julgava que a vida não passava por fazer opções.
Sabia que, sim, não podia ter todos os brinquedos nem trazer várias Barbies para casa de uma vez, que, se queria doces, tinha de optar pelos que iria comprar daquela vez, mas achava que, nas coisas importantes, nas grandes coisas da vida, nunca precisaria de escolher.
Costumava responder, quando me perguntavam "o que queres ser quando fores grande?", que queria ser "tudo". Assim, ser tudo, um bocadinho de cada. E lembro-me de acreditar genuinamente nisto, na possibilidade de ser, realmente, tudo.
Sempre fui uma pessoa indecisa. Nessa altura, quando dizia que queria ser tudo, achava que o meu tempo podia esticar. Que podia, com toda a facilidade, ser um bocadinho médica de manhã, um bocadinho bombeira à tarde, um bocadinho bailarina ao final do dia. Achava que escolher não valia a pena - para quê, se podia ter tudo nas mãos, se podia aproveitar o mundo inteiro?
Depois caí na real. Na escola, começaram a dizer-me que não podia querer "ser tudo". Tive de optar. Geralmente ia pela negativa, dizia "não quero ser professora", sabendo a chatice que essa vida traz. Acho que acreditava que, não querendo ser uma coisa, podia ser todas as outras. Mas não chegava. Tive de optar por querer ser pediatra, ou fosse o que fosse.
Depois foi a escola. Aos 15 anos - se não me engano -, no 10ºano, tive de escolher a área de estudos. Acho incrível que peçam a miúdos de 15 anos que tomem uma decisão dessas. E lá escolhi. Ciências. Eu que sou das palavras, das línguas. Mas escolhi Ciências.
Mais tarde, o curso. Nesse, não tive qualquer dúvida e escolhi o curso da minha vida, uma daquelas paixões que me completa. Puro instinto, pura sorte.
Pouco a pouco, o meu "quero ser tudo" tornou-se num "quero ser x". Assim, em menos de nada, o "tudo" a perder-se.
Ainda hoje, não gosto de tomar decisões. Mas tive de aprender a tomar algumas. Decidi,  eliminar pessoas tóxicas da minha vida - da mesma forma, decidi manter, perto de mim, outras tantas. 
Tomei a decisão de, ainda que completamente sozinha, pois todas as minhas colegas desistiram, ir na mesma fazer Erasmus - eu, só eu, a mudar de país. Ir contra tudo e todos.
Decisão atrás de decisão. Sobretudo, e depois de tantos anos de querer "ser tudo", decidi que teria sempre de decidir pôr-me em primeiro lugar.
E já tomei algumas boas decisões na vida. Mas essa... essa, de olhar sempre para mim primeiro, de lutar sempre por mim, foi a melhor que poderia ter tomado.
Tomei a decisão de, finalmente, deixar de ter medo de ser feliz. E o bom que é.

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