segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Se erotevomai.

Desde que me lembro de me interessar por rapazes que sempre disse que não fui feita para estar com um português - sempre foram os estrangeiros que me deixaram o coração a bater mais forte.
O que não costumava pensar, talvez porque nunca tinha passado da fase dos crushes, é que, por melhor que seja o meu inglês, nunca me expressarei de forma igual nas duas línguas - há sentimentos que não se traduzem, palavras que só fazem sentido quando ditas com a espontaneidade de quem fala a língua com que cresceu. Um "I love you" nunca sabe ao mesmo que um "amo-te" dito com todo o ar que nos resta no peito. Um "I miss you" dificilmente chega perto do maravilhoso "tenho saudades tuas" que só nós, portugueses, temos.
Talvez por isso, por não conseguir fazer as minhas palavras fluir da mesma forma, ou por achá-las mais insípidas, prefiro escrever em português. Tal como me expresso assim contigo, agora que estou finalmente numa dessas relações com que sempre sonhei, e te peço para falar grego comigo, nos momentos em que sentimos que precisamos de pôr tudo por palavras.

E são essas pequenas coisas que me fazem tão feliz.

Os sussurros, a meio da noite, algo inconscientes e acompanhadas por um abraço mais apertado, de palavras que não entendo mas nas quais reconheço a ternura. A facilidade com que as dizes, o arrastar na voz típico de quem tem demasiadas emoções em si. Os "s'agapo" que dizes e que te saem como uma enchente, repetidos uma e outra vez, de olhos nos olhos. Ou das vezes em que, brincalhão, dizes coisas brejeiras com o ar mais sério do mundo, mas mesmo assim descubro, por mero instinto, que não são palavras de amor.
Os passeios a meio da noite, pela cidade inteira, em que podemos ser apenas duas crianças com brincadeiras infantis, dois adolescentes apaixonados com todas as juras do mundo e casamentos improvisados. Que tenhamos andado a meio da noite pela marina durante 1.30h apenas para procurar os "lovelocks" iguais aos de Paris, em que os casais fecham juntos um cadeado e atiram a chave ao rio. Que nos sentissemos plenos enquanto espreitávamos para dentro dos barcos e imaginávamos como seria se tivéssemos um e pudessemos, simplesmente, partir os dois. Gargalhadas sinceras. Uma sensação de que somos um do outro e de que nada pode mudar isso.
O facto de reparares nos pormenores. Todos. E de os decorares tão bem como se fossem características tuas e não minhas. De cozinhares para mim, algo que ambos adoramos, e já saberes que eu só sei comer massa com garfo e faca. Ou de como prefiro ter um sítio para cortar a salada e, mesmo que queiras comer directamente da tigela, tragas sempre, e sem eu ter de pedir, um pratinho com talheres para mim. De pôres a mesa sempre na mesma disposição porque eu não gosto de trocar de lugar, tal como na cama. Tanto na minha, como na tua.
Gosto que cuides de mim. Que me ligues imediatamente quando não sabes de mim ou algo se passa. Que venhas dar-me um beijo de boa noite e me tragas um prato de fruta cortada, como se eu fosse a Cleópatra.
Gosto que me abras a porta às 4.30h da manhã, ensonado, quando chego a casa depois de uma festa e tudo o que mais quero é estar contigo. Que sempre, sempre, me queiras também.
Que saibas sempre o que dizer ou fazer para resolver as coisas. Que saibas as palavras certas. Que, apesar de quereres estar comigo, me digas que eu mereço melhor. Que desabafes comigo e acabes sempre com um agradecimento sentido - "thank you for taking care of me even if I don't deserve it". Mas, para mim, mereces tudo.
Gosto de te conhecer os traços. Da cicatriz pequenina que vai ser, sempre, a minha coisa preferida em ti, e que nunca resisto a tocar. Do teu perfume. Ou de ti sem perfume.
Das conversas sem fim. Dos abraços sem fim. De tudo o que trocamos, sempre, sempre, sem fim.
Que me chames namorada. Que as pessoas olhem para nós, talvez um pouco surpreendidas, mas rapidamente deduzam que estamos juntos, porque a cumplicidade se nota a léguas. Que me deixes falar com a tua irmã e o teu primo, os teus dois melhores amigos, livremente. Que fales de mim sempre com um sorriso e, depois de palavras em grego que não consigo decifrar, me contes que lhes disseste que estás muito feliz de me ter contigo. 

És ao mesmo tempo a minha história mais improvável e a mais complicada e, ainda assim, mesmo com tudo o que é reprovável nela, consegues ser o homem mais perfeito com quem já me cruzei.

"S'agapo san ena hontro paidi agapaei to keik." :) 

E nunca terei palavras suficientes para descrever isto.

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