Por vezes descobrimos, acidentalmente, que a vida que vivemos não é a certa. Por mais que nos sintamos bem, que a casa onde vivemos 20 anos seja o nosso verdadeiro lar, que a praia e o mar nos façam mais felizes do que tudo o resto; ainda assim, essa pode não ser a melhor vida para nós.
Eu mudei de país. Com isso, descobri que sou mais feliz sozinha. Que tinha saudades de uma liberdade que nunca tinha conhecido. Que vivia, sem saber, presa no facto de não ter um lugar seguro onde passear. De ter de me justificar perante alguém. De sentir culpa e remorsos por mentir.
Essa vida não era para mim.
Essa vida não era para mim.
Descobri que, longe da minha casa, também tenho um lar. Um lar só meu, que eu construí, de que apenas eu cuido. Um lar para onde voltar depois de uma tarde na cidade ou de uma noite em que não pensei, apenas vivi.
E a minha casa em Portugal faz-me falta. Mas a minha vida aqui vale mais do que isso.
Não vim para fugir.
Vim para me encontrar.
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