Durante o Verão - e certamente ainda antes de estar pronta para uma nova relação -, decidi sair com aquele que foi a minha primeira paixão. Cruzámo-nos, depois de muitos anos sem sabermos um do outro, e achei que precisava de agarrar a oportunidade e que, se tinha gostado tanto dele, não deveríamos voltar a atravessar-nos na vida um do outro sem tentarmos uma aproximação.
Falo aqui dele hoje, ainda que na altura não o tenha mencionado, porque acho engraçado isto do amor e de como não se aproxima, em nada, daquilo que queremos.
Quando saí com ele, músico profissional, mais bonito do que como o lembrava, tentei realmente gostar dele. De forma inconsciente, é certo, e algo de que apenas hoje me apercebo. Mas tentei, fiz por isso. Ainda antes de sairmos juntos, ouvia tudo o que era música dele, deliciava-me nas longas conversas que tínhamos; quando estivemos frente a frente, tudo desmoronou e soube, imediatamente, que nunca daria. Que aqueles sorrisos nunca me encheriam a alma, que as conversas eram superficiais e forçadas, que nunca aquela melodia, de novo estrangeira, me poderia fazer feliz, porque não era dele que gostava e isso não viria a acontecer.
Sei, porque também ele não me voltou a procurar, que também eu não era para ele. Que também ele tentou, quis, gostar de mim, mas não conseguiu.
Alguns meses depois, conheci-o a ele, de uma forma inesperada e, estranhamente, naquela que parecia ser a altura perfeita para ambos. Não tencionava apaixonar-me, não forcei nada, não quis sequer voltar a deixar-me levar por paixões, porque já levava a minha dose de coisas dolorosas e mal acabadas.
Mas encontrei nele, mais uma vez, e ao contrário do que acontecera no Verão, a minha definição de amor - vi ali um precipício e, ainda assim, ainda que com muito medo de caminhar perto dele, não consegui, nem quis, afastar-me.
Dessa vez, e ainda antes de chegar a casa depois do nosso primeiro encontro, enviei-lhe as palavras de uma dessas músicas de gente apaixonada, em que me revi - "this feels like falling in love" -, e assim estava mesmo. Apaixonei-me. E os sorrisos eram inevitáveis, e não queria um fim para as conversas porque a voz e as palavras dele preenchiam-me, e sair de perto dele custava, porque queria sempre ficar mais e mais tempo. Queria, precisava, sempre de mais.
O amor, quando vem, fecha os olhos e tapa os ouvidos. Não quer saber de nós, não quer saber do que queremos, do que pretendemos. Vem e instala-se.
Da mesma maneira, também nunca morre apenas quando desejamos - não queria apaixonar-me e aconteceu sem direito a uma palavra minha; agora, que preciso de me afastar, não vejo forma de parar de o (nos) querer. Não vejo forma de parar de querer, mais do que tudo, viver aquilo que não chegámos a viver, ter as longas conversas que não tiveram tempo para existir.
Era tão mais fácil se eu não visse, em nós, potencial para ser feliz.
E era tão mais fácil que bastasse querer para tudo se desenrolar.
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