Eu às vezes penso que devo ser doida. Não apenas louca, como gosto de ser, mas doida mesmo. Masoquista, também.
Isto de ser Terapeuta da Fala implica notas e notas em agendas e post-its e quaisquer pedacinhos de papel que se encontrem disponíveis.
Faz com que, quase sem excepção, andemos sempre com vários sacos, malas, mochilas, e o porta-bagagens sem espaço para mais nada.
Com que, no horário já preenchido, se encaixe sempre mais uma palestra, uma conferência, porque ai é com o Lobo Antunes, a esta tenho mesmo de ir, dito de uma forma fan-girl de envergonhar qualquer um. E há sempre mais formações, mais oradores espectaculares, mais temas interessantíssimos a que temos mesmo de ir.
Mas a insanidade vem depois. Vem de tudo isto, das olheiras até ao chão, do cansaço ao chegar a casa, da vontade inexistente para fazer jantar, das pilhas de livros e apontamentos que se acumulam, das imagens de Anatomia carregadas de setas e nomes de músculos faciais.
A insanidade vem de passar por tudo isto... e adorar. De saber, sentir, que nunca poderia ser de outra maneira.
E eu penso que devo ser doida, sim - mas que, realmente, é do lado esquerdo que o meu lado esquerdo gosta.
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